Um português em Paris

“Ainda por aqui?” – perguntei-lhe mal vi o seu sorriso de saudação! “Claro! Quando se está muito bem, para quê mudar?” – respondeu-me prontamente este português de Viana do Castelo, há seis anos oficiando no “L’atelier” de Joël Robuchon, mais um dos grandes nomes da cozinha francesa.

Fernando Barbosa é um homem orgulhoso do que já conseguiu profissionalmente, hoje é digamos que o responsável por aquele celebrado restaurante, uma verdadeira escola na arte de cozinhar e receber. Sempre que vou a Paris não deixo de ir ali almoçar, pelo ambiente e sobretudo pela ementa, moderna, criativa e delicada, onde acabo por repetir algumas receitas já clássicas, como a entrada de beringela e filetes de anchova, o mini-hambúrguer, o peito de pombo, sem esquecer o melhor puré de batata que alguma vez provei (a fazer fé no que me confidenciou, um verdadeiro atentado calórico, já que leva tanto do tubérculo como de manteiga!). “Melhor só o da minha mãe!” – diz-me perante a gabação, para acrescentar, que a visita todos os meses, no Minho Alto onde nasceu. Ao dizer-lhe que desta não ia escolher sobremesa alguma por andar a cortar no açúcar, consciente dos meus habituais exageros, logo me sugeriu uma, sem pitada dele que fosse, feita de puré de manga e com meia esfera cristalizada de coco com recheio do mesmo. Fundia-se na boca, leve, ligeira, gulosa … do melhor que alguma vez saboreei!

Cuidadoso e atento, e não apenas comigo por ser português, Fernando revela-se, nos mais pequenos pormenores, um profissional de mão cheia. Acabámos na cozinha, que se apresenta à vista de todos, numa algaraviada, tantas as línguas ali faladas. A minha vontade era voltar no dia seguinte, para tudo repetir, não tivesse de regressar à vida real, mas ali há sempre uma próxima!

2 comentários a “Um português em Paris

  1. Carla

    Manuel
    Parece-me tudo delicioso, dizem que os olhos são os primeiro a comer e isso nem tenho dúvidas.
    Parabéns ao Fernando Barbosa por fazer estas obras de arte, com um sabor que quem lá volta quer voltar a repetir. Se repetimos é porque gostamos se gostamos repetimos e é assim em tudo na vida.

    Bela cozinha ali tudo brilha.

    Rui boas fotografias penso que sejam feitas por si, não pode ficar sempre na retaguarda.

    Abraço aos 2
    Carla

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