Cozido num croquete!

Ledor regular das revistas “Sábado” e “Visão”, encontrei na primeira um saboroso artigo sobre croquetes, da autoria de Catarina Moura e Filipa Teixeira e, pelo que se lê, meteram mesmo dente a uma data deles para opinarem, com conhecimento, sobre onde encontrar os melhores de Lisboa. Tarefa hercúlea que isto já se sabe cada casa de comer(es) puxará brasa ao seu croquete, “o meu é melhor que o teu!”, independentemente do que de básico se espera do lambisco: um cremoso e saboroso recheio devidamente panado.

Confesso que o croquete faz partes das melhores memórias do meu paladar, babava só de os saber à mesa do jantar sempre que visitávamos a tia Manuela (só por si a merecer um escrito, de tão original que era) se bem que únicos mesmo fossem os seus pastéis de massa tenra, nunca voltei a comer iguais. Dos que conheço e no artigo são referidos assumo particular agrado pelos do “Gambrinus”, saboreados ao balcão como petisco, mas o que me leva desta a escrevinhar são os que, nem de propósito, comi no “Alecrim” de Estremoz um dia antes de ler a matéria. Já os havia provado e mais do que uma vez, que sempre que ali vou faço questão de os incluir no pedido dos petiscos para partilhar entre amigos. Tão agradável conceito preside também ao “Gadanha”, outro restaurante estremocense de que sou agradado cliente, por sinal de um irmão do proprietário do “Alecrim” e já agora não se deixe fora da prosa, um outro, de outro mano, ali perto em São Lourenço de Mamporcão, a “Tasca do Zézadas”. Cada um com o seu, todos diferentes, de inegável qualidade.

Mas voltemos aos croquetes, que têm estes de especial? – perguntar-me-á. Têm o facto de esconderem no recheio os sabores do cozido à nossa maneira. Ao abrir a capa estaladiça por tão franca fritura vai encontrar as carnes do cozido em fiapos, pedacinhos do fumeiro, cenoura, nabo e até de couve, numa mistura suculenta e muito apaladada. Não, não são feitos de sobras, que não há cozido na ementa, tudo é cozinhado como se fora para o prato, à portuguesa (dizemos nós, se bem que os franceses também o tenham, o “pot-au-feu”, ainda que com um ou outro ingrediente diferente, como a feijoca, e os espanhóis idem idem com a sua “olla podrida”), mas sim com vista à feitura dos croquetes.

Quando vier a Estremoz almoce no “Alecrim”, peça os croquetes de cozido e depois diga-me se não são de comer e chorar por mais!

www.alecrim.pt

www.merceariagadanha.pt

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