Aquivos por Autor: admin

Fecharam-se as portas do “Monte do Manel”!

Estava de férias, uma semana no Alentejo, e o telemóvel tocou. Era o Zé Eduardo Moniz: “Manel Luis tive uma ideia: vocês vão ter de sair por duas semanas do estúdio, para se construir o novo cenário do “Você na TV”, que acha de fazermos o programa, durante esse período, a partir da sua casa?”. “Que casa?” – perguntei. “Na de Fontanelas, nem pensar!”- ainda acrescentei, que sendo essa a casa de todos os dias, a primeira, não estava disposto a tamanha invasão. “Estava a pensar no monte, aí no Alentejo!”- respondeu. Assim sendo, porque não? Levei dez minutos a decidir, ouvido o Rui, que somos sempre dois seja em que casa for. Já havia mostrado muitas fotografias da herdade e do exterior do monte nas minhas redes sociais, já havia aberto a casa para uma revista, que vendeu três edições à conta da novidade e da curiosidade que tal suscitou! Porque não aproveitar dez programas de Natal para divulgar um pouco de um sonho de uma vida, junto de quem me acompanha fielmente há vinte e cinco anos, deixando-me fazer parte da sua família e da sua casa? Assim nasceu este conceito que hoje terminou, último dia do ano. Um programa necessariamente mais intimista que alguns estranharam mas que se entranhou, dadas as audiências obtidas, prova que nem tudo tem de ser feito em alta grita e frenesim. Quem vê está sempre a surpreender-nos, como em tudo na vida isto não são favas contadas, por isso não menosprezemos o público, este sabe o que é qualidade e verdade.

Ao longo destes programas mostrámos alguns dos ofícios e tradições ligadas a este chão, mas não deixámos de ir a muitos outros locais do país, até fora onde há portugueses. Esta é uma das premissas que queremos valorizar já a partir de Janeiro, o contacto com os nossos, estejam onde estiverem. Mostrámos-lhe os animais da nossa afeição, companheiros de todas as horas. Vivemos momentos de sortilégio através das conversas à lareira e do que ouvimos na voz dos grandes, como António Zambujo, Ricardo Ribeiro, FF, Wanda Stuart, Celina da Piedade, Cuca Roseta, Jorge Fernando… Não imaginam a comoção que senti em muitos desses momentos, pudesse eu parar o tempo para que não se esgotassem.

Deslumbrámo-nos com os saberes da terra que só os da terra sabem. Gente anónima e tão nobre por vidas de tanto lidar, na dureza do campo sob a inclemência do sol. Lamentos que o cante enaltece.

Sim, abrimos as portas do monte a uma equipa de excelentes profissionais, mais de trinta, tantos os necessários para que nada falhasse e em momento algum houve pontinha de enfado que maculasse a alegria e a energia dominantes. Sim, abrimos as portas do monte à curiosidade alheia, aos que me acompanham sabendo que não lhes minto, que perante eles apresento-me sempre inteiro, não escondendo sequer as fragilidades que entendo, igualmente, como dádivas da Vida. São elas que me humanizam. Sim, abrimos as portas do monte … e valeu a pena. Se valeu! Foram dez dias, dos mais felizes da minha vida profissional. Obrigado a todos os que o tornaram possível!

Novo ano, novo desafio. Daqui a dois dias regresso ao estúdio com um novo cenário e uma nova colega, a Maria. Vai começar um novo caminho com alguém que sei querer proteger e amar. E consigo, sempre consigo.

Enquanto homem de televisão, e foi esta a vida que quis para mim, eu não existo sem si! Então, que tenhamos todos um grande ano!

O(s) Menino(s)

Em indo ao Crato, e se gosta de casas-museu, não deixe de visitar a do Padre Belo onde pode admirar toda a colecção de arte sacra que ao longo da sua vida foi constituindo e que por doação é hoje pertença da Santa Casa da Misericórdia da vila.

Se porventura anda para os lados de Monforte, pode ver algumas peças dessa colecção, expostas que estão até ao dia de Reis na capela do antigo Hospital da Misericórdia, hoje sede da Universidade Sénior. São imagens do Menino Jesus, maioritariamente dos séculos XVII e XVIII, sendo que o Deus Menino e a sua infância é dos temas que mais apaixonam o coleccionador, a ponto de o ter escolhido para tese de licenciatura.

Amante que sou de Arte e particularmente de arte sacra, gostei muito do que vi, enquadrado na notável recuperação e reutilização deste espaço agora para fins culturais, obra valorosa da autarquia de Monforte e com mais ganas fiquei de regressar ao Crato. E então conversar com o próprio reverendo, hoje senhor dos seus 90 anos naquela que foi a sua casa, seria “ouro sobre azul”! Fica prometido!

Fotos de uma viagem!

Sim Vevey! Já no ano passado a havia pensado como cenário para o meu Natal mas acabei em Viena, uma vez mais, talvez pela oferta cultural ser ali muito mais variada e intensa, sobretudo a nível da música clássica e da ópera, meus interesses maiores. Vevey é uma pequena cidade, não sei mesmo se tem esse estatuto, à beira do Lago Léman, com vista para as montanhas, por enquanto apenas polvilhadas de branco, marcada pela presença de vinte e cinco anos de um dos meus ídolos, génio entre os génios: Charles Chaplin. Foi essa a razão maior para lá querer ir, sabendo que a sua casa está agora aberta ao público, como museu. Depois são os chocolates, que ali é a sede da Nestlé e só o nome já me faz salivar de desejo, e mais o Museu da Alimentação, único do seu género em todo o Mundo. Gruyéres está a meia hora de carro e surpreende, parece perdida no tempo… o cantão apresenta-se como que penteado de modo irrepreensível. Nada desfeia a paisagem e assim será certamente por toda a Suíça, no cantão italiano que conheço de outros Natais é o mesmo e por certo o alemão não deslustra tais pergaminhos. Não será dos meus destinos favoritos, que no que toca a preferências Itália e França ficarão sempre a ganhar, mas que me senti em casa, senti. Por via dos portugueses que encontrei e tantos foram. No hotel, nas ruas, no mercado de Natal de Montreux, na Missa do Galo… São um milhão em toda a Suíça, garantem-me os naturais, a maior comunidade estrangeira no país e muito respeitada pelas suas qualidades pessoais e profissionais. Perdi a conta aos beijos, e logo três de cada vez conforme o uso local, abraços e fotos. Falam-me da alegria de verem o programa da manhã, então dos do monte nem se fala, e sente-se que me têm estima. Nunca lhes agradecerei o suficiente por isso, razão de sobra para que neste escrito os evoque através do que a câmara fotográfica registou.

O meu presente de aniversário


Sou daqueles que cresceram a ver o “Museu do Cinema” na Televisão, apresentado pelo sapiente e efusivo António Lopes Ribeiro acompanhado ao piano por António Mello, este tímido a ponto de lhe ouvirmos apenas um sussurrado “boa noute”. Delirava com o Charlot, criação maior de Charles Chaplin, a ponto de querer saber tudo sobre quem vestia essa terna e “vagabunda” personagem, que mais parecia saída do universo de Dickens. Por isso cresci a querer acompanhar tudo quanto ele fazia enquanto actor, escritor, realizador e, fiquei agora a saber, também compositor, já que são da sua autoria algumas das bandas dos seus filmes sonoros.

Os últimos vinte e cinco anos da sua vida foram vividos em Corsier-sur-Vevey, na Suíça, anulado que foi o seu visto de permanência nos Estados Unidos da América, seu país de adopção, na sequência do macartismo e da tenebrosa “caça às bruxas”. A sua casa em estilo colonial comprou-a em 1953, vindo Chaplin a seguir a uma variada lista de outros proprietários endinheirados que ali haviam habitado: um mestre relojoeiro, um industrial e dramaturgo e um diplomata americano.

Desde 2016 podemos entrar neste que foi o seu ultimo lar (de Oona O’Neill, a sua última mulher e dos oito filhos que com ela teve) agora transformado em museu. Imagine-se a balbúrdia ou alegria daquela casa se à numerosa família acrescentarmos o pessoal de serviço (um mordomo, um motorista, duas “babysitters”, algumas empregadas de quarto, uma cozinheira, e sua respectiva ajudante, e uma equipa de jardineiros), mais ainda os ilustres visitantes que estavam sempre a chegar, as maiores celebridades do mundo das artes, das letras e da sociedade internacional. Chaplin gostava de receber mas Oona impacientava-se por vezes com a demora das estadas, lembrando o que sua mãe dizia: “as visitas querem-se como os bolos, ganham ranço quando com muitos dias!”.

A mesa continua elegantemente posta para o convívio, como se a família se fosse sentar para a refeição do dia. Eram permitidos todos os risos e muita discussão. Ainda há quem se recorde das suas célebres batatas assadas em papelotes, depois abertas, acariciadas com manteiga e coroadas com caviar e alguns borrifos de sumo de limão. O caviar chegava-lhe com regularidade ido da embaixada da URSS, como que um pagamento em género, pela cedência dos direitos de parte da sua autobiografia publicada num jornal russo. A magia do local faz-nos sentir visita da casa, junto a Chaplin e a Oona, presentes em muitos dos cómodos, não só através do mobiliário original, dos livros, das cartas, das partituras …, de inúmeros objectos pessoais, que ali ficaram tal qual como quando tinham serventia, como pelas suas próprias figuras em cera recriando cenas do quotidiano. Idêntico empolgamento sente-se caminhando pelos jardins com vista para as montanhas ou nos estúdios ali montados ao lado, onde em cenários replicados podemos “protagonizar” cenas icónicas dos seus filmes mudos.

À entrada, junto à escada que nos leva à zona mais privada da casa, um enorme pinheiro luzente lembra-nos a quadra de festa. Chaplin odiava o Natal, foi a própria filha Geraldine que mo disse quando com ela conversei há 25 anos, também por esta altura, no programa “Momentos de Glória”. Em chegando a hora, quando todos já eram grande algazarra, o génio afastava-se, recolhendo-se no escritório ou no quarto, sempre com Othelo, o seu gato preto, por perto. A família porém não deixava que ele estragasse a festa … até àquela noite de 1977. Ironia das ironias, Chaplin morreria na noite de Natal.

Para mim, que adoro o Natal e toda a sua magia, se bem que haja quem pense o contrário (vá-se lá a saber porquê!), este foi o melhor presente de aniversário que poderia ter.

Menino Jesus ou Pai Natal?

Lá vai tempo em que se escrevia ao Menino Jesus pedindo um ou outro presente como recompensa por um ano bem comportado. Ainda o fiz por uns anitos, em letras que duas linhas faziam certas e enfileiradas, crédulo que à meia noite ele chegaria ou mandaria o tal velho das barbas, mensageiro da boa nova e portador das alegrias mais desejadas. Era no dia 25, manhã menina, que corríamos à chaminé para saber o que nos havia tocado. E de pijama ficávamos de rojo no chão entre brinquedos, jogos e muita folia. Na mesa o arroz doce, imaculado e de fatiar, os belhós de abóbora menina, quentes, polvilhados de açúcar e canela, o bolo-rei coroado de frutos cristalizados que mais pareciam jóias, de tanto brilho, as broínhas de mel e as castelares, os figos abertos com nozes dentro…

Por cá a figura do Pai Natal era meramente secundária e seriam necessários ainda alguns anos para ganhar terreno ao Menino e assumir-se protagonista. Na origem da figura que continua a encantar miúdos e graúdos está S. Nicolau, bispo de Mira, nascido no ano 270 no seio de uma família cristã abastada de Lícia, na actual Turquia. Segundo uma lenda, Nicolau tinha um vizinho pobre que, tendo três filhas por casar e sem dote, pretendia pô-las a render, prostituindo-as. Nicolau distribuiu, em segredo, pelas jovens bolsas com moedas de ouro, para que pudessem encontrar noivo e assim escapassem ao destino que o pai havia-lhes traçado. Outra estória diz-nos que o Santo teria ressuscitado três crianças que haviam sido mortas e esquartejadas às mãos de um talhante. Certo é que Nicolau é tido como o santo protector das crianças e das prostitutas. Na Holanda protestante o culto a São Nicolau foi rejeitado, contudo, laicizando-se, persistiu sob o nome de SinterKlass. No século XVII, serão o colonos holandeses a fundar do outro lado do Atlântico a “Nova-Amesterdão”, futura Nova-Iorque, levando com eles as lendas do seu país frio, as renas e … SinterKlass. Em 1821, um poema de Clement Clarke Moore, escritor americano, fala de um homem barbudo vestido de peles distribuindo presentes. Era SinterKlass, Santa-Claus dali a uma vintena de anos.

“Father-Christmas”- no Reino Unido, “Weihnachtsmann” – na Alemanha, “Papai Noel” – no Brasil, ele conquista o Mundo. O seu rosto tal como o conhecemos foi desenhado por um ilustrador germano-americano (Thomas Nast) em 1863. Através do seu traço, Santa-Klauss ganha a forma de um gentil velho barrigudo, de cativantes bochechas vermelhas e olhar meigo. Uma imagem terna e sedutora, demasiadamente atraente para as marcas de publicidade, em particular para a Coca-Cola, que o veste com as suas cores. A publicidade vai adorar a figura deste velho de barbas brancas e logo a vai usar em toda a sorte de molhos, a vai pôr a fumar, do Marlboro ao Camel, a beber whisky e a comer chocolates. Através da publicidade impõe-se ao Mundo, Portugal não é excepção, mesmo estando a Cola-Cola proibida por Salazar, e consequentemente as suas natalícias campanhas, o Pai Natal vai, entre nós, ganhando, espaço e as cartinhas que antes eram endereçadas ao Menino.

E se bem que goste da bonomia e garridez do gorducho barbudo, na essência sou pelo Menino. Pelas memórias de uma infância que voltam sempre nesta quadra e pelo seu exemplo que, feito homem, deixou ao Mundo: de humildade, de inconformismo e de entrega aos outros. Assim o vejo, sem que o meu agnosticismo (que isto tem é a ver com o tal de Deus) o turve.

Um presente de Natal

“Bem, o casaco que o Angélico vai usar é a tua cara! Ainda mais bonito que o teu!” atirou-me a Júlia (Pinheiro) no seu jeito deliciosamente endiabrado, mal eu cheguei ao Tivoli para os ensaios gerais daquela que seria a gala de Natal da TVI, de 2006. Era lindo, sim senhor, pude comprová-lo, negro com coroas bordadas a fio dourado, adequado para uma festa e a uma figura
carismática, rei no coração de milhares e milhares de fãs. Ainda falámos sobre o casaco com graça e alguma picardia, que sempre me demorei nas conversas com ele, porque marcadas pela sua simpatia e pelo seu sentido de humor e assim fiquei a saber que era assinado por Gianfranco Ferrè, celebrado criador de moda italiano durante alguns anos ligado à Casa Dior. O
assunto finou-se ali, em bastidores, que não tardaria e estaríamos todos no palco, a dar o nosso melhor.

Passaram doze anos, é novamente Dezembro, mês da Natividade de Cristo, e da nossa também, e eis que me chega pelas mãos da Sandra Figueiredo, investigadora na área da psicologia e colaboradora do nosso programa, um presente enviado pela Filomena, mãe do Angélico. “O Angélico tinha-o guardado para lho oferecer, não teve foi essa oportunidade”. Ainda não o tinha tirado do papel de seda que o abraçava e toda aquela cena voltava ao meu olhar molhado. Quisera ter fé para acreditar que algures, nas alturas, estava o Angélico a ver o mundo todo. E a rir com a minha emoção.

As árvores do meu Natal!

A cena repete-se e este ano em dose dupla. Duas árvores de Natal já que dois são os ambientes em que vivo. Comecei pela do monte que quis rústica, tal qual a decoração geral. A arvore é a mesma dos últimos quinze natais, digamos que continua protagonista agora no Alentejo, ainda por cima verde, cor dos pastos e do olival, os enfeites sim são na sua maioria a estrear, de entre o tanto que há à escolha no Bazar das Louças, em Ponte de Rol, que aquilo é mesmo uma perdição! Quis que fossem de madeira, vime, juta e corda, materiais rudes, e mesmo nos tons escolhidos procurei uma ligação aquele chão onde o meu coração mora: o castanho da terra, o branco da geada que por estas manhãs já cobre os campos, sóo dourado que aqui e ali ajuda a vestir o pinheiro da festa é que nada tem a ver, ou até é capaz de ter, que as searas ao sol são de ouro, e depois é o Natal que celebramos.

Já a de Sintra é diferente, mais urbana e sofisticada, árvore nova e enfeites maioritariamente acumulados ao longo dos anos. Bolas, flores, grinaldas, hastes e bonecada. Quis que fosse toda em branco e vermelho, cores do velho das barbas desde que a Cola-Cola entrou na história e no negócio. E o resultado está à vista. E pronto, ideias não me faltam, venham é mais Natais!

Missão Continente – Bastidores

Ando a mil, como se usa dizer, entre a apresentação do programa da manhã e a preparação do que está para vir, e não apenas a partir de Janeiro, que o próximo mês já trará irresistíveis novidades, com viagens à mistura e cenários inesperados. Não que me esteja a lastimar, longe disso, que é no trabalho que me cumpro, mas sendo assim não há tempo para botar fora, por isso quando me disseram que teria de ir até Sobral de Monte Agraço para filmar a campanha deste ano da Missão Continente, que apadrinho com todo o gosto, só porque era necessário um ambiente com lareira, não me fiquei: “É que nem pensar! Perder duas horas na ida e volta e outras tantas no mínimo para a filmação, com tanto que tenho para fazer?”. Logo arrisquei numa alternativa, conhecendo, como cliente, o “Coisas da Terra”, impressionante “show-room” ali em Almoçageme, a dez minutos de casa, onde o engenho e a criatividade da sua proprietária, Rosarinho Gabriel, se espraiam em produtos de decoração vindos de todas as partes do Mundo e em ambientes diversos. “Perguntem se podemos lá filmar (arrisquei), que me lembro que há uma lareira e vários objectos que têm a ver!”. E assim, acredito que muito por via da estima que a Rosarinho me tem e que fielmente retribuo, lá gravámos nas “Coisas da Terra” aprazada a filmagem para as 14.30, tudo foi montado de manhã, enquanto eu apresentava o “Você na TV” para que à hora marcada, em ponto, pudessem gritar: “Take 1. Acção!”. Repetiram-se as falas por três vezes, tantas as escalas de captação das imagens, e os necessários planos de corte e de enquadramento, e duas horas depois já eu estava em Fontanelas agarrado à preparação do programa da manhã. O resultado já se pode ver e tenho a certeza que, dada a ambiência criada e a qualidade profissional da equipa do José Abrantes, com quem aliás já fiz várias campanhas, vai agradar e sobretudo ser eficaz na mensagem que vincula: a de que há Natal em nós sempre que vemos o outro com os olhos do coração. Por isso junte-se à Missão Continente!
(Veja as fotos e o vídeo abaixo)

Às portas de Santo Antão – Um sábado em cheio!

Comecei pelo “Politeama”, uma casa centenária. Foi inaugurada em 1913 por iniciativa de Luís António Pereira, português de torna-viagem, diz-se que fez fortuna no Brasil e que, amante de Teatro e de Música, quis assim dotar a cidade com uma nova sala de espectáculos. Desde 1992 que é ali Filipe La Féria e a sua companhia oferecendo-nos todo um trabalho de grande qualidade, particularmente ao nível do musical, que bem pode rivalizar com o que de melhor se faz na estranja. Fui para ver “Eu saio na próxima. E você?”, com João Baião e Marina Mota. Até aqui nada de extraordinário, gosto de Teatro e de bons actores, já tinha visto a peça onde ambos se desunham com assombrosa energia e talento durante duas horas, desfiando as memórias de uma vida a dois e de um país que de oprimido passou a livre, sendo que esse bem maior nunca seja um dado adquirido, alerta temos de estar, ainda mais agora que um pouco por todo o lado os populistas, sejam da direita ou da esquerda, ganham terreno à custa do desalento e da desesperança de quem vê goradas expectativas e promessas por parte de quem através do conluio, corrupção e outras indignidades (se) governa. Só que desta fui ao teatro com mais de uma trintena de senhoras, das que habitualmente se sentam nas bancadas do programa da manhã. Foi uma tarde de risos, gargalhadas e emoções, que felizmente registámos para, uma manhã destas, partilharmos no programa.


Dali fui jantar, não sem antes ter ficado à porta do teatro, por uma boa meia hora, rodeado dos mimos com que habitualmente sou tratado: beijos, abraços e as inevitáveis “selfies”. Fico sempre sem graça quando dizem gostar de mim, porém, cada pessoa que o diz, ou demonstra, não imagina a alegria que me dá por perceber que o homem em que me vou fazendo está no caminho certo, o da credibilidade. Optei pelo “Gambrinus”, um clássico da restauração lisboeta. Desta vez amesendei-me, que habitualmente fico-me pela barra, para uma refeição mais ligeira, e onde somos tratados com o mesmo desvelo e simpatia. Tinha tempo para jantar nas calmas, que o concerto da Raquel só começaria duas horas depois. Recuamos oitenta anos que a bem dizer tudo se mantém na mesma, até a ementa mostra que há poucas alterações culinárias, joga-se pelo seguro de uma confecção cuidada, a partir do melhor produto, servido com eficaz e elegante competência. Não é de estranhar que estivesse cheio e já agora, em jeito de mera curiosidade, diga-se que atrás de mim jantava, discretamente, o Secretário-Geral da ONU, António Guterres.

Que noitada! – é mesmo, para quem diariamente se “deita com as galinhas”, mas não podia perder a oportunidade de assistir a um concerto da Raquel Tavares no Coliseu, “a sala da sua vida”, é a própria a dizê-lo.
Gosto muito da Raquel, da sua voz poderosa e do seu enorme talento, se bem que o nosso relacionamento não tenha começado da melhor maneira. Achava-a pespineta e irritava-me a intransigência com que defendia os seus pontos de vista, sobretudo no respeitante ao fado, ao acreditar que o seu caminho era o único certo para defender esse lamento de alma que é tão nosso, nunca se pondo em causa. Curioso é constatar a minha então implicância, quando também eu levei anos a perceber que não há verdades únicas e que o maior dos desafios é esse de tudo questionarmos, a começar por nós próprios. Já conversámos sobre tudo isto e rimos da nossa implacabilidade infantil (mais grave em mim, dado que já na altura tinha idade para ter juízo!). Hoje a Raquel não recusa outras estéticas musicais, sem nunca atraiçoar a sua alma verdadeiramente fadista, e isso viu-se ontem no extraordinário espectáculo que nos ofereceu, acompanhada pelo seus músicos de sempre e pela Sinfonietta de Lisboa. Ali ficou no palco, em cada tema, inteira, feita de alma, nervo, coração. Por isso o Coliseu, completamente esgotado, se rendeu logo ao primeiro fado, numa emocionada declaração: “Como é grande o nosso amor por você!”.

O assunto do momento nas redes sociais!

Hoje no esgoto das redes sociais não se fala de outra coisa: ai que a Judite de Sousa fez uma birra e supostamente terá destratado um colega, neste caso um repórter de imagem. Isto no Brasil, no decorrer da recente cobertura das eleições presidenciais. Que vemos então nas imagens que abusivamente foram gravadas à revelia dos protagonistas desta história? Uma Judite algo enervada, por não se sentir confortável no local onde se encontrava antes de fazer um directo para Lisboa. Percebemos pelas imagens que ela se queixa de não conseguir abrir os olhos, dada a luminosidade, que reclama junto do colega uma solução que lhe resolvesse o incómodo lembrando-o de que é ela a mandar na equipa e não outrém do lado de cá do Atlântico. Só mesmo quem não perceba népia de televisão é que estranha o facto da jornalista ter “puxado dos galões” a minutos de entrar em directo e numa evidente situação de stress, perante a eminência de não ver resolvido o problema que poderia pôr em causa a qualidade profissional do seu trabalho. Eu próprio já fiz parte de três equipas de profissionais destacadas para a cobertura de outros tantos casamentos reais, sempre lideradas pela Judite, e não houve qualquer problema sabendo perfeitamente quem ali mandava. Entenda-se mandar como assumir a responsabilidade por todos. Repito: aquilo que as imagens mostram é uma banalíssima altercação (bem pouco violenta, por sinal) entre colegas de trabalho numa situação de stress. Quantos de nós já não vivemos situações semelhantes logo sanadas com um pedido de desculpas? Abjecto aqui só mesmo quem gravou tais imagens e as pôs a circular (talvez até as tenha vendido). Na senda inquisitorial que as redes sociais fomentam há quem não queira ver o óbvio! Estranho mundo este!