O fungagá da bicharada!

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Esta é a imagem mais divertida que tenho do programa a que acabámos de assistir. Por três vezes a Ana se cortou, no decorrer da prova de equipas, sendo logo assistida, como sempre acontece, pelos bombeiros de serviço, e em momento algum perdeu o seu bom humor e a pose, sobretudo quando percebia que uma câmara, mesmo fotográfica, estava por perto. Aliás, todos estes concorrentes têm sido gabados não só pelo seu talento culinário mas também pela sua actuação, ao revelarem uma surpreendente noção do espectáculo televisivo. E estamos a falar de jovens entre os oito e os doze anos.

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A prova de equipas foi o pretexto para visitarmos o Jardim Zoológico de Lisboa e entendermos o seu conceito actual, mais interessante sem dúvida que o presidiu à sua inauguração a 28 de Maio de 1884, com a presença da Família Real, num outro espaço mais acima, onde é agora o “El Corte Inglês”, ou seja a divulgação das espécies. Hoje o Jardim Zoológico tem uma função científica aliada à conservação das espécies e à reintrodução de animais nos seus habitats naturais. Não é mais uma mera montra, antes uma reserva pedagógica. O objectivo da prova era justamente o da angariação de dinheiro para o fundo de conservação de uma espécie em vias de extinção – o leopardo da Pérsia. Para isso teriam as duas equipas de idealizar, cozinhar e servir aos visitantes do zoo uma ementa de “finger food”, que é como quem diz: petiscos de comer com a mão. A equipa vermelha liderada pela Maria revelou-se a mais eficaz, apesar da tensão e dos conflitos que nos foram dados a assistir, muito por via da criatividade e variedade da ementa (chips com molho de ervas, espetadas de carne, mariscada portuguesa, salada de frutos e uma bebida energética), mas também pelos preços que resolveram praticar. Já a equipa azul, capitaneada pela Ana, terá optado por uma ementa menos ambiciosa e por preços mais acessíveis, revelando assim menos olho para o “negócio”. Feitas as caixas, não restavam dúvidas sobre quem tinha conseguido angariar mais dinheiro e consequentemente ganhado a prova e isto apesar de, na equipa azul, a Rosarinho ter brilhado, com um bolo de comer e chorar por mais.

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No rescaldo de um dia longo e frio, no Jardim Zoológico de Lisboa, para além da efusiva alegria da Maria, do Tomás, do Gonçalo, da Carolina, do Kiko, do António e do Pedro Jorge, que assim se viram a salvo da temível prova de eliminação, ficaram os divertidos momentos em que todos os concorrentes conheceram alguns dos mais de 2000 animais que ali vivem, para além do espectáculo de golfinhos a que puderam assistir. Foi o caso dos lémures de Madagáscar, tão característicos pela cauda anelada, pelos olhos grandes e pela mascarilha preta e branca que a natureza lhes desenhou no focinho. Vivem em sociedades matriarcais e alimentam-se de folhas, frutos e sementes, como bem ficaram a saber os concorrentes, já que tiveram o privilégio de os alimentar. Dos orixes com os seus chifres anelados de meio metro. A espécie chegou a estar extinta. Ou do o tímido panda vermelho do Nepal, de focinho curto e orelhas triangulares, que se deixou ver, dada a ocasião, logo ele que só gosta de se movimentar depois do crepúsculo.

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Não deixa de ser tocante perceber que estes jovens, agora quatorze, apesar de dominarem as novas tecnologias e de tudo quanto hoje têm ao seu dispôr, ainda vibram com as coisas que me alvoroçavam quando tinha a idade deles, como uma ida ao Jardim Zoológico, ou um cenário de fantasia, tipo “Charlie e a Fábrica de Chocolate”.

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Viu-se o entusiasmo com que enfrentaram a primeira prova da noite, a partir do desafio lançado pelo Chef Francisco Gomes, nome importante da pastelaria nacional e de todo um ambiente de fantasia criado em torno do tema das gulodices. A ideia era que nos apresentassem um bolo inteiro, delicioso e bem decorado. Terminado o tempo da prova, que os jurados acompanham sempre atentamente, percebendo assim os erros cometidos, os concorrentes saem da cozinha para gravarem os depoimentos. Enquanto isso, nós os jurados, fazemos sempre uma ronda pelas bancadas provando de todos pratos acabados de fazer. Ficamos, deste modo, com uma ideia precisa das cinco receitas que consideramos mais conseguidas e que por isso merecem uma segunda avaliação, já com a cumplicidade das câmaras, com vista à atribuição de pontos. Foi assim que chegámos aos primeiros resultados desta noite. A Rosarinho jogou pelo seguro, optando pela receita do pão de ló de Alfeizerão , executando-a na perfeição. O pão de ló apresentou-se fofo e molhadinho, tal como se tivesse recheio de ovos moles, sendo esse o efeito de uma muito curta cozedura. Uma vez mais esta concorrente da Guarda mostrou que é craque na pastelaria, respeitando neste caso um clássico da doçaria tradicional. Alto lá com ela! A Carolina surpreendeu com um delicioso bolo de chocolate e avelãs. O bolo de chocolate do João Francisco também era de babar, ainda por cima com pimenta rosa, que a mancebia entre o chocolate e a mais perfumada das pimentas nunca falha , mas foi o da Maria, também ele de chocolate, a colher a maior pontuação, e a seguir o da Ana, de cenoura e laranja, pena a cobertura exagerada de açúcar. Daí que tenham sido elas a capitanear as equipas no Jardim Zoológico, se bem que a Ana não se mostrasse para aí virada. Isto de liderar não é para qualquer um.

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A última prova desta noite trouxe de volta ao MasterChef um dos ingredientes mais benquistos dos portugueses, o bacalhau. Pediu-se aos concorrentes, que haviam perdido o desafio de equipas, que nos apresentassem um prato feito com o “fiel amigo”, bem confeccionado e saboroso. Qualquer um deles tinha ao seu dispor uma ajuda preciosa, a de um familiar a quem poderiam recorrer, através de uma vídeo chamada. A emoção desses momentos também temperou o desafio. O Ivan foi o único a prescindir dessa ajuda e talvez tenha sido esse o seu maior erro, o bacalhau que queria à Brás, mostrou-se falho de sabor e rigor. Também o da Maria Rita não correu bem, apesar da proposta ser interessante. O uso em excesso da mostarda de Dijon acabou por anular os restantes sabores. As melhores receitas pertenceram aos dois Joões, um e outro cada vez mais a afirmarem-se como muito bons concorrentes.

Tive pena que ninguém se tenha lembrado de fazer pastelinhos de bacalhau. São irresistíveis quando fofos, dourados e suculentos.

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E pronto, desta saíram de competição a Maria Rita (esta jovem de onze anos cozinha desde os sete e muito por ver na televisão o MasterChef, e prefere a pastelaria) e o Ivan, de nove anos. Também este prefere os doces aos salgados e foi com o pai que aprendeu a cozinhar. Para os dois um grande abraço.

Na próxima semana:

“Manuel Luís, para o próximo programa precisávamos que trouxesse uma roupa que pudesse eventualmente levar com natas em cima!” – Foi assim que a produção me abordou no final das gravações deste terceiro programa. “Eventualmente?” – perguntei. “Sim” – continuaram com um sorriso malvado – “a prova vai consistir em taças com natas que os concorrentes terão de bater, de modo a ficarem firmes. A única maneira que têm de avaliar a firmeza das natas é fazerem virar as taças sobre as vossas cabeças!”. “Compreenditi!”, – como diria Vasco Santana. Querem um fato para estragar, que está mais que visto que isto vai dar em “porcaria”! Só quem não os conheça, e logo nós, jurados, que trabalhamos com eles há três anos. Só lhe digo que a cena será imperdível.

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8 comentários a “O fungagá da bicharada!

  1. Sidalina Baptista

    Olá Manel Luís!
    Foi uma escolha brilhante,esta do programa ser feito no Jardim Zoológico!Primeiro por serem crianças e depois porque o espaço está maravilhoso. As suas fotos ficaram lindíssimas.Foi muito engraçado a envolvência dos miúdos na procura de clientes,a quem vender as suas delícias, e a preocupação na angariação de fundos para a causa que se propunha.Os bolos estavam espectaculares!Parabéns aos alunos e aos Mestres!
    Beijinho e até à próxima!

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  2. Carla

    Manuel
    Ainda não vi o programa, nesse dia quase numca estou em casa. Mas pelas fotos mostra o divertido que foi gravar com estas crianças.

    Abraço
    Carla

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  3. Maria santos

    Boa tarde,
    Amei o programa e quem me dera a mim cozinhar como esses miúdos. Tenho de elogiar a postura do Gonçalo, uma vez que a semana passada ele tanto foi criticado, quando com outro colega se dirigiu aos visitantes para os informar do que se estava a passar e qual o fim do mesmo. Penso que também esta atitude ajudou a vitória da equipa. Quanto ao Pedro Jorge, nada a fazer….é uma barrigada de rir com a sua espontaneidade.

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  4. Madalena Ferreira

    Olá MLG,

    Mais um programa que gostei muito!

    Os miúdos são giríssimos – em tudo – são competitivos e alguns deles marcaram muito bem o seu território.
    Alguns , mesmo quando as coisas não estão a correr bem, sabem mostrar o contrário – afinal estão diante de uma câmara de TV!
    Quanto ao MLG e aos Chefs estiveram impecáveis!!!!!!!!!!!!!

    Boa semana e domingo há mais!

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