Bolo-Rei

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Hoje é dia de o comer! E logo eu que sou capaz de aviar um, quase de uma assentada. Com fartura de frutos cristalizados e massa fofa, que nisso sou pela tradição, por muito que gabem o bolo rainha, apenas com frutos secos, o de chocolate, o escangalhado e mais recentemente o micaelense mal-amanhado. Por certo terá a ver com as memórias, que o paladar também as tem, que babo só de me lembrar do cidrão, entre outros frutos cristalizados, que se comprava a peso no velho Nicola de Coimbra. Lá em casa era eu que dava conta deles, às escondidas da minha mãe, e, ainda hoje, é por eles que começo, deixando o bolo depenicado, mesmo antes de o fatiar. Mas também terá a ver com a sua história, que se há coisa de que gosto é de entender o que como. Quando assim é parece que as coisas ganham outro sabor.

Diga-se então do bolo-rei que a receita da sua massa foi trazida de França, por Baltazar Castanheiro Júnior, em 1875, já a sua casa, a afamada Confeitaria Nacional, à Praça da Figueira, criada por seu pai Baltazar Roiz Castanheiro, cinco décadas atrás, tinha conquistado as elites de Lisboa, mercê da qualidade dos produtos. Logo o bolo-rei se impôs junto do mais exigentes paladares.

Pior foi quando, implantada a República, se tentou mudar o nome do bolo, repudiado que era tudo quanto “cheirasse” a realeza. Tentaram-se vários, desde bolo Presidente, bolo Arriaga, até bolo Nacional, mas nenhum vingou, pelo que acertado mesmo foi manter-lhe o baptismo, tal como chegou a Portugal. O mesmo se pode dizer em relação à receita que, ali na Confeitaria Nacional, garantem-me ser a mesma de então, e que apenas duas pessoas lhe conhecem os segredos: o proprietário e o seu pasteleiro mais antigo.

Remate-se a prosa, que tenho de o ir comprar, e coroado de “nougat” por ser o dia que é! O mais já sei como será: começo pelos frutos cristalizados e a uma fatia outra se seguirá! O que sobrar aquece-se, amanhã, na quentura do forno, para depois barrar numa carícia de manteiga ou de queijo da Serra. E, assim, em lambança, se fina a quadra natalícia!

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4 comentários a “Bolo-Rei

  1. Carla

    Manuel
    Gostei de conhecer a história do bolo , gosto de bolo rei fofinho e macio.
    No sábado lanchei na confeitaria nacional, deliciosa torradinha lanche agradável, espaço a meu gosto, empregados simpáticos.

    Carla

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  2. Maria Conceição Jorge

    Manuel Luís Goucha. Eu adoro belos no vosso programa tanto o Manuel como a Cristina. São a minha companhia de todas as manhã. Desejo-vos a maior sorte do mundo. muitos beijinhos.

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  3. Maria Clara Nunes da Mata

    Tal como o Manuel Luís, adoro bolo rei! Hoje não fugiu à regra “Dia de Reis”, bolo de rei ev romã. Continuação de um Bom Ano. Maria Clara Mata

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  4. Sandra constantino

    Ola
    Nunca gostei muito de bolo rei, no entanto a historia por detras deste bolo; assim como em cada paisagem, quadro, castelos, sobremesa que por vezes conta e muito intetessante.
    Todos os dias, aprendo alguma coisa, consigo.
    Obrigado por isso,
    Continue….
    Obrigado
    Sandra

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