Ambrósio, apetece algo!

E se o que lhe apetece é peixe fresco, selvagem, tirado ao largo de Cascais, tanto faz que seja o Carlos ou o José a satisfazer o seu pedido, que um e outro respondem pelo mesmo apelido, são irmãos e têm idêntica paixão pelo mar. Tempos houve em que o Carlos foi agente da autoridade e o mano Zé funcionário do Instituto de Socorros a Náufragos, pescavam nas horas vagas por puro prazer e vontade de comer do melhor que do mar se tira. Mal sabiam então que esse haveria de ser o sustento de ambos, uma vez constituída a “Do mar para casa”, uma empresa familiar que nos traz o pescado, amanhado e até filetado se, assim, o quisermos, basta encomendar. Todos os dias, pela aurora, atiram as redes e armadilhas, cada um do seu barco, para mais tarde recolherem o que o mar lhes deu entre corvinas, douradas, robalos, linguados, cavalas, polvos…, é conforme a época, devolvendo-lhe o que não interessa pelo tamanho ou pela míngua de valor comercial, e lá voltam elas a ser lançadas para a pescaria do dia seguinte.

Aceitámos o desafio e acompanhámos a recolha das redes, entre ensinamentos, que os manos Ambrósio sabem da faina, dos ventos e das marés, como verdadeiros “lobos do mar”, e muita galhofa, de tão bem dispostos e amáveis que são. Não nos esqueçamos também do seu Jorge, que com eles trabalha, atento e diligente. Ficou prometida uma almoçarada daquelas que não têm hora para acabar, ali mesmo no cais, mas nos “entretantos” vim com rabetas (nome dado pelos pescadores às corvinas mais pequenas) para casa. Resultariam deliciosas pela fresquidão, pela suculência da sua carne e pela confecção. A receita segue depois das fotos, todas elas ilustrativas de uma tarde bem passada, que em breve partilharei consigo no “Você na TV”.

www.facebook.com/domarparacasa

  • para além das entregas ao domicílio, pode comprar o peixe fresco e selvagem, no Centro Comercial Riyadh – Av. Gaspar Corte Real, loja 17-1 piso. Cascais

Rabetas em papelote (só podia!)

2 rabetas (corvinas pequenas) devidamente amanhadas
1 cebola grande descascada e picada miudamente
4 dentes de alho descascados e picados miudamente
2 tomates frescos, sem pele nem sementes, cortados em cubinhos
5 filetes de anchova
1 cálice de vinho branco
vinagre de vinho
azeite
sal e pimenta fresca moída na altura
manjericão fresco picado

Pré-aqueça o seu forno a 180 graus.
Num tacho, aqueça um bom fio de azeite.
Junte a cebola, o alho e os filetes de anchova.
Deixe que a cebola e o alho dourem um pouco e o azeite ganhe sabor.
Refresque com o vinho branco e deixe ferver para que o álcool se evapore.
Junte o tomate e deixe cozinhar em lume brando, mexendo.
Quando o molho estiver apurado, junte um pouquinho de vinagre e o manjericão fresco picado. Retire do lume.
Tempere de sal (se achar necessário, dado os filetes de anchova já serem salgados) e pimenta.
Coloque cada peixe numa folha de papel de alumínio. Tempere com pouco sal.
Recheie o peixe com parte do molho de tomate e anchovas e distribua o restante sobre os peixes.
Feche os papelotes com cuidado, como que embrulhando cada peixe.
Coloque os papelotes num tabuleiro e leve ao forno por uns vinte e cinco minutos.
Acompanhe com legumes cozidos. Fizemo-lo com feijão verde e pimentos, cortados em juliana e cozinhados “al dente”, que é como eu gosto.

4 comentários a “Ambrósio, apetece algo!

  1. maria silva

    Mto obrigada pela deliciosa reportagem. Delícia para a alma e não só (todos os sentidos se elevam).
    Manel Luís, para quando um livro com as suas preciosas reportagens???
    Parabéns pelas simples mas muito belas ofertas.
    Abraço

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