Esse (meu) alfaiate!

Sabe bem as linhas com que cose a Vida, sabe-o desde rapazelho ao querer o mundo para lá do bairro onde cresceu e onde outros se perderam, os amigos que não rejeita, antes os abraça, como que a querer dizer-lhes que a esperança não vai nua. Urge é vesti-la com dom, cada um terá o seu, e teimosia, esse “braço armado” da perseverança. Sempre soube o que não queria: o desamor, que calou com lágrimas e solitude, por isso é companheiro enamorado, pai atento e dedicado; a indignidade, esse caminho estéril que outros pisam cheios de si, por isso faz da honradez entretela, a leviandade ou ligeireza, que o mister é coisa séria e por isso chuleia-o a rigor não venha a desfiar-se. Foi a alfaiataria a escolhê-lo numa das dobras da Vida, sabendo esta que ele seria homem para ao ofício se atirar com nervo e paixão. E assim se fez artista, desejado e respeitado.

Com alinhavos de simpatia e de humildade tenta outras sortes, ora na televisão agora em livro, cuidado e pedagógico, e assim encanta e segue em passadas de triunfo. Surpreendendo, desafiando e superando-se.

Honrado que fiquei por me convidar para o prefaciar visto as palavras de gala para com elas bordar a admiração e o respeito que lhe tenho. Mais que o oficiante que me veste como quem aconchega uma segunda pele enalteço o homem leal e corajoso que nascido da noite quis para si dias limpos e azuis na cambraia do talento, da criatividade e do afecto. Parabéns Paulo!

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