À conversa com…

Quem me ligou foi a Ana Rangel a perguntar-me se eu queria entrevistar o Reynaldo Gianecchini. Claro que sim, respondi prontamente, que isto há oportunidades que convém não desperdiçar, ademais o actor é figura que me interessava conhecer por todo um caminho de Vida que, apesar de ainda nos quarenta, já tem que se lhe diga de sucessos e escolhos. Não quis que fosse em estúdio, há conversas que ganham fora dele afastadas da espuma dos aplausos e dos gritinhos de circunstância. Teria de ser num palco, que tenho como lugar sagrado, onde há sempre quem sangre em partilha e verdade, a verdade dos que ousam, dos que não calam, dos que não se acomodam, dos que procuram. Porque não no Tivoli? – já que esse será palco para as cenas da peça que o traz a Portugal, junto com Ricardo Tozzi, a partir do dia 29 e depois de se apresentar noutras cidades do país.

Chegou tímido, ele assim se diz e eu compreendo-o, que as tábuas e o estúdio são zonas de conforto e as máscaras das personagens sempre escudam, diferente é um frente-a-frente, olhos nos olhos com a autenticidade das emoções. Se o pressenti algo desconfiado depressa me esqueci perante o riso, a humildade e a sabedoria das suas palavras. Foram quase trinta minutos de sortilégio com alguém que sabe por e para onde vai. Com dignidade, coragem, humor e humildade, porém nunca com pena de si próprio nem mesmo perante a ideia de uma finitude há cinco anos quase anunciada, Reynaldo Giannechini mostrou que é dando-se aos outros que a Vida faz mais sentido. E é na suas imperfeições que encontra o lugar mais sensível para a saborear.

No final da nossa conversa agradeceu-me o facto de ter sabido respeitá-lo e eu percebi onde quis chegar. Alvo de boataria a propósito de uma foto tirada em Ibiza com um amigo, por certo terá pensado que também eu iria por aí. Há um “jornalismo” que manipula, vampiriza, que se alimenta do sórdido, da intriga, da mentira … porque há um público ávido de bisbilhotice, de coisas patetas e idiotas. A mim interessa-me apenas o carácter, é ele que define, por isso esta conversa que agora aqui partilho, tendo-me dado tanto soube-me a pouco.

 

8 comentários a “À conversa com…

  1. METILLON Ana-Paula

    Boa tarde Monsieur Manuel GOUCHA
    Já a muito tinha-lhe deixado comentários sobre o seus posts.
    Hoje recebo este mail que me deixa com muitas dùvidas. Já teve conhecimento destas “aproximaçãos” ?
    PS : aproveito para lhe dar os parabéns pela esta magnifica entrevista. Adorei
    Cordialemente
    Ana-Paula METILLON

    ——————————————————————————
    peth ramson

    Dia bom,
    Como você está hoje e sua família, espero que tudo esteja bem, meu nome é Mr. peth ramson, eu vi o seu email em cabaredogoucha.pt, eu quero saber mais detalhes sobre você, eu tenho algo muito importante para lhe dizer, por favor entre em contato comigo, espero ouvir de você hoje,

    Atenciosamente,
    Peth ramson,

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    1. admin Autor do artigo

      Boa noite Ana Paula. De facto, esse e-mail é estranho. Deverá ser spam, pelo que aconselhamos a que não responda. Obrigado pelo seu comentário.

      Atentamente,
      Admin. Cabaré do Goucha

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  2. Helena Loureiro

    Olá.
    Uma entrevista maravilhosa, que realmente fica a saber a pouco.
    O Manuel com a sua maneira de ser e o seu conhecimento do mundo do espetáculo, conseguiu revelar-nos o ser humano Reynaldo Gianecchini , como se calhar ele não estava à espera ao aceitar a entrevista.
    Continue a surpreender-nos.
    Helena

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  3. Carla

    Manuel
    Ontem estive a fazer uma pesquisa sobre esta peça parece-me muito interessante, vai fazer pensar. Com esta peça um dos órgãos nobres ” cérebro ” vai ainda pensar mais ou não tudo depende de quem a ouvir e da interpretação, o real sentido da peça está lá.
    Há os que pensam,os que não pensam, os que pensam que pensam, os que vão aprender a pensar, os que pensavam de certa forma e hoje pensam de outra, o pensar tem muito que se lhe diga!
    Há n pensamentos mas os pensadores serão muito menos que os pensamentos não acha?
    Há os pensadores que pensam com pensamentos pensados não pensamentos pensantes, há pensadores com pensamentos pensantes mas foram os pensamentos pensados que os fizeram ter pensamentos pensantes. Há pensadores com pensamentos estranhos, serão estranhos porque a nós nos foi imposto uma certa forma de pensar? Ou seremos nós os estranhos na nossa forma de pensar?
    Há pensamentos que perduram uma vida não são mutáveis porque o ser humano o quis ou a sua história de vida o fez assim. Há seres humanos em que o pensamento foi e é mutável a vida toda.

    Razão, sentimentos, emoções qual delas deve ser soberana?
    Para alguns filósofos a razão, a razão acima de tudo, o sentimento na retaguarda.
    Não seremos nós seres de afetos relacionais e devíamos colocar hás vezes a razão na retaguarda?
    Equilibrar razão com sentimento não é tarefa fácil , a razão em algumas coisas mas quando é a mais sufoca, oprime…

    Desculpe o devaneio seremos livres pensadores aqui, onde existe liberdade existe pensamento ou não?
    O que é liberdade? O que é o pensamento? Quem somos nós? Que fazemos aqui?
    A filosofia dá-nos a resposta a todas estas questões e a muito mais.

    Abraço
    Carla

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  4. Lúcia Cabral

    Olá Sr Manuel. Parabéns pela entrevista. Foi ótima dos dois lados. Sou fã dos dois. Realmente a conversa foi super inspiradora. Faz-nos pensar muito nos nossos actos. .. nossa vida.
    Claro que podia ter ficado a falar com ele durante muito tempo continuavamos a ter lições de vida.
    Quanto a si… continue a brilhar como sempre faz. Pois também nos ensina e transmite bons valores e alegria. Devo dizer q trabalho das 9h as 6h. O meu serão de novelas é ver o Você na TV porque gosto da personalidade dos dois. Vibro convosco.
    Vou ser sincera onde anda a direcção da tvi que não vê o quanto precisam de um novo cenário. É uma vergonha não para vós mas para quem manda. Todavia as estrelas brilham mesmo em noites nubladas.
    Infelizmente na última parte até começar com os comentadores vejo…. depois passo para o final. Não gosto nada de tanta desgraça. Precisamos de rir,de conversas inspiradoras….
    Por tudo muito obrigada.
    Lúcia
    S. Miguel

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