Um hotel em Versalhes

Em gostando de um hotel mantenho-me cliente por bons anos assim regresse por razão de um espectáculo ou apenas por me apetecer revisitar a cidade ou o local. Não é a primeira vez que me fico por Versalhes o fim de semana todo, mesmo que acabe por dar uma saltada a Paris nem que seja só para almoçar, como foi o caso. Ali se vê a grandeza da França, entre Palácio e jardins, sem esquecer os domínios de Maria Antonieta. Em Versalhes quedo-
me no Trianon Palace, hotel de mais de cem anos de histórias para contar, que é disso que eu gosto.

O nome advém do facto de estarmos a dois passos do Pequeno e do Grande Trianon, num parque profusamente arborizado de três hectares, onde os da cidade fazem os seus treinos matinais e passeiam os seus “cãopanheiros”, encostado aos muros do Domínio Real de Luís XIV. A partir da sua
inauguração, no primeiro de Maio de 1910, o hotel passou a ser frequentado pelas mais diversas personalidades mundiais, por ali encontrarem um
perfeito ambiente de elegância e tranquilidade. Sarah Bernhard escolhia o hotel durante as suas representações parisienses ali convivendo com Marcel Proust, Lafitte, o banqueiro, e Santos-Dumont.

No inicio da Primeira Grande Guerra o Trianon Palace é requisitado como Hospital auxiliar para uso da tropas britânicas regressando dois anos depois à sua função original. Foi na sala posteriormente baptizada com o seu nome que Georges Clemenceau ditou as condições do Tratado de Versalhes. Terminada a guerra, o hotel recupera o seu estatuto de instituição mundana e rapidamente passa a contar como hóspedes assíduos os nomes mais importantes das letras e do espectáculo, como Paul Valery, Sacha Guitry e Marlene Dietrich.

O final da década de trinta traz ao Mundo tempos negros de guerra e genocídio e uma vez mais o Trianon Palace se vê transformado, primeiramente,
em quartel da força aérea alemã por decisão de Goering, mais tarde, em 1944, das tropas americanas. Foi aqui que homens de poder e influência, como Eisenhower, Patton, De Gaulle e Montgomery tomaram decisões que ainda hoje vigoram no actual mapa geo-politico.

Em tempo de paz voltou a ser hotel de reis, como Isabel II ou Hussein da Jordânia, e de artistas, como François Mauriac, Jacques Brel, Jean Gabin, Jeanne Moreau…

Em 2008 o hotel foi completamente renovado pela arquitecta inglesa Fiona Thompson mantendo-lhe um certo requinte aristocrático, no respeito pela
tradição francesa do início do século XX, e acrescentando-lhe uma necessária, mas não menos elegante, contemporaneidade, como a abertura de um restaurante gastronómico onde a cozinha atinge alturas de Olimpo sob a batuta de Gordon Ramsay.

Perdoem-me a vaidade mas Versalhes fica-me tão bem!

7 comentários a “Um hotel em Versalhes

  1. Maria da Conceiçaõ Rodrigues Teixeira

    Faz lembrar o Hotel Palácio do Estoril , muito belo também .

    Abraço e bom fim de semana

    Maria da Conceição Teixeira

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  2. Susana Gonçalves

    É que lhe fica mesmo bem… é a sua cara!!
    Versalhes podia ser perfeitamente, a sua residência ” oficial”
    Obrigada pela maravilhosa partilha de imagens e conhecimento

    Responder

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