Um alfaiate cheio de estilo

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Teve honras de “Jornal das Oito” e eu até entrei na peça, por coincidir com um dia de provas,  e já antes se havia falado dele, em vários artigos de imprensa, por ser um dos novos nomes da alfaiataria moderna e também por integrar o primeiro grupo de “dandy ‘s” português, constituído por homens de bom gosto e com um sentido estético muito particular.

Conheci-o por um mero acaso, andava  eu à procura de quem me adaptasse um fato Versace, com uns doze anos, às tendências da altura. Foi a Susana, sua mulher, então colaboradora da MalóClinic, quem em conversa solta me disse que ele trabalhava no ofício e logo no Rosa & Teixeira (nome de sogro e de genro e de negócio afamado, até internacionalmente, vai para oitenta anos). Assim conheci o Paulo Battista e dele fiquei cliente até hoje.

Saído do “Rosa & Teixeira” montou o seu próprio negócio, começando por um pequeno atelier para os lados de Sintra, tendo hoje um “à maneira” numa paralela da Avenida da Liberdade. É ali que, pelo menos, duas vezes ao ano escolho os fatos para cada estação a partir dos tecidos que as marcas, com quem trabalha (“Holland&Sherry, Dormeuil…), propõem, que os há para todos os gostos e ocasiões, dos mais descontraídos aos mais formais, passando, mesmo, pelos de gala. Acertados todos pormenores quanto ao feitio, segundo o que vai sendo moda, deixo a confecção em boas mãos, a começar pelas do Paulo, firmes e sensíveis no corte, de todas as operações, e muitas são, a mais decisiva, para terminar nas da Otilia, da Hortense ou da Mariana, calhadas que são nos pontos de ternura, tantos os anos que levam de “métier”, para que com o assentamento das entretelas, de feltro, pelo de camelo e crina de cavalo, e o ferro, o fato ganhe a sua forma tridimensional.

Confesso que me encanita ir às provas mas percebo que elas façam parte, que o que se pretende é que o fato assente que nem uma segunda pele, sendo essa a grande destrinça entre a alfaiataria por medida e o “pronto-a-vestir”. Depois há pormenores que acentuam a diferença, como o dos botões no punho que se querem sempre desabotoáveis, sendo que até é costume deixar o último fora da casa em sinal de que a farpela foi feita por medida.

Tenho o que visto como ferramenta de trabalho, já que faz parte da minha imagem televisiva, mas sendo dos que aprecia moda, tecidos, texturas, cores… no Paulo Battista encontrei um alfaiate à medida do(s) meu(s) gosto(s).

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6 comentários a “Um alfaiate cheio de estilo

  1. Augusto Lopes

    Gostei do que vi , mas continuo fiel ao meu alfaiate Manuel Teles , ja experimentei varios alfaiates e nunca nenhum acertou o fato ao meu corpo como ele .
    Venham mais jovens para uma arte tão distinta como rara .
    Parabens .

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  2. filipe

    Não podemos ver apenas ver isto apenas como o modo de vestir, mas sim com o interior da nossa casa, o nosso canto o sitio perfeito para em que habitamos em nossa vida inteira todo tem de ser perfeito desde as costuras do sofá ate ao candeeiro que ilumina o hambiente da casa.

    como tal vi no outro dia esta marca que promete trazer tudo isto http://kaliradesign.com/pt/

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  3. Carla

    Manuel
    Sem saber, a minha intuição sempre me disse que os seus fatos eram feitos por medida, assentam-lhe que nem uma luva.
    Anda sempre elegante, com gosto.
    Já tinha visto a reportagem na TV, ainda existem mãos de fada.

    Carla

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  4. Maria Marques

    Cresci a ser vestida por uma modista/alfaiate. Na minha infância o sr. António alfaiate, na rua da Sofia em Coimbra, talhava casacos maravilhosos, na minha adolescência era a d. Antónia, coincidência, na loja “Nova Paris”, que me costurava saias, vestidos, casacos e até calças. Comprava , não, compravam-me os tecidos na loja, rés-do-chão e depois era só subir ao 1º andar. Deliciava-ma, nos dias das provas, tira alfinete, põe alfinete, desmancha daqui e alinhava ali. O meu vestido de noiva , também foi confeccionado por uma modista, a D. Florinda, que me vestiu com peças maravilhosas.Foi dos mais simples possível, que vi,não tinha rendas ou bordados, era mesmo só o tecido ,seda selvagem, champanhe, mas havia ali as mãos da d. Florinda, uma senhora com mãos de ouro. Tenho pena de já não usufruir do trabalho destes mestres de costura, está na altura de começar apostar nesta arte. Bom domingo.

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  5. ermita

    os fatinhos são mto janotas, sim senhor… que tal um corte de cabelo assim, tdo pra frentex. o srº Manel com um carrapito, imagine !!! lol
    abraço…

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