O(s) meu(s) presidente(s)

autarquicas 2017

Tenho que é nas autárquicas que a Democracia se cumpre em (permitam-me a expressão talvez um pouco exagerada) “todo o seu esplendor”, tantos os que nelas se envolvem (largos milhares) entre candidatos e estruturas de apoio e pelo objectivo, arrisco a dizer, comum: o de lutar pelos anseios e necessidades das suas diversas comunidades.

Claro que conhecemos casos de corrupção, de compadrio, de caciquismo, aqui e ali (com alguns a acabar ” pelas ruas da amargura”e muito poucos ainda na prisa) mas acredito que na maior parte dos casos é o espírito de missão e o apego à terra, que os viu nascer e medrar, que move quantos correm por um lugar de decisão ou de influência seja numa Junta, numa Assembleia ou numa Câmara.

gonçalo lagem
Foto: www.santoaleixo.net

Votasse eu em Monforte e não hesitava. Desde há quatro anos que Gonçalo Lagem é o rosto do pequeno concelho. Teve dois anos para “arrumar a casa”, tal o endividamento da autarquia que herdou (cortando despesa, revendo orçamentos, reavaliando projectos, respeitando fornecedores e credores, moralizando e motivando os próprios funcionários camarários, procurando um rumo lúcido e credível) e outros tantos para deixar obra, sempre no respeito pelos munícipes que conhece pelo nome. Um a um. Vê-lo na rua prestigiando o outro é inspirador. Há a franqueza do sorriso, o aconchego do abraço, a firmeza do cumprimento. Não, não é pose de candidato, é o seu jeito de ser e de se cumprir como cidadão. Já lhe vi lágrimas nos olhos quando conseguiu para os “seus” velhos (sabem como gosto da palavra velho e como abomino essa outra do idoso) mais desprotegidos a gratuitidade dos medicamentos e, mais recentemente, quando lançou a primeira pedra para a construção do tão almejado Lar de Santo Aleixo. As crianças, o futuro do concelho, merecem-lhe igual desvelo, no que toca à segurança, aos espaços e tempos de lazer…

Está presente, todos os dias da semana, na responsabilidade de liderar um projecto e uma equipa que não se cansa de valorizar, técnica e humanamente, como sendo de grande qualidade. Não é presidente na pomposidade do cargo (sempre ridícula e mais ainda num pequeno e genuíno concelho) nem no apego ao poder. Esperam-no outras paixões, sendo que a maior é a família, tantas vezes sacrificada, a licenciatura em Medicina Veterinária, para juntar à de Engenheiro Agrónomo, para além de outras concretizações pessoais, mas tenho a certeza que tudo ficará adiado por mais quatro anos, que “o carteiro toca sempre duas vezes” (permitam-me a graça numa alusão ao seu primeiro oficio, com o respeito que me merecem quantos atingem as metas a que se propôem com trabalho, competência e honradez), e a hora é de consolidar conquistas e avançar no desenvolvimento desta terra ardente, que ama e enaltece, sustentando-o em iniciativas que tragam para o concelho trabalho, prestígio e qualidade de vida. É o património edificado e cultural que me alimenta, já o disse milhentas vezes e Monforte tem-no, com muito ainda por fazer no que diz respeito à sua preservação e (re)qualificação (um dos grandes desafios para o próximo mandato) mas o mais valioso dos patrimónios é o social. Gonçalo Lagem sabe-o bem e, acima de tudo, é por isso que Monforte é a sua causa.

basilia horta
Foto: www.sintranoticias.pt

Porém, ainda (este “ainda” não é inocente, sei que, mais ano menos ano, é no Alentejo que quero estar) voto em Fontanelas, sendo que a freguesia pertence a Sintra. Basílio Horta candidata-se a novo mandato. Não tenho com ele relação de espécie alguma. Sei-o, como qualquer pessoa minimamente atenta, político “encartado” com a sabedoria, eloquência e até alguma manha que a jurisprudência empresta, conheço-lhe o percurso, com as suas diferentes ligações partidárias e confesso que, há quatro anos, não entendi o seu interesse autárquico (logo ele que já “quis” ser presidente da Nação). A dimensão do concelho e a gigantez da empreenda nada têm a ver com o caso anterior, não proporcionando esse contacto cara-a-cara com o munícipe, salvo nos locais e ocasiões próprias. Também as tentações são maiores, as teias mais urdidas, os interesses mais dissimulados, mas o ainda presidente, e de novo candidato, tem sabido gerir a autarquia sem espavento, nomeadamente mediático, conseguindo resolver muitos dos problemas básicos que ainda existem num concelho tão desigual. À bela e vibrante vila, sede do concelho, juntam-se outras localidades igualmente de interesse patrimonial e turístico, praias internacionalmente celebradas mas também se fazem sentir a ruralidade de certas zonas bem como as assimetrias sociais.

À estranheza sucedeu a surpresa de o saber atento e eficaz na solução de problemas comezinhos mas de grande impacto no quotidiano do munícipe, como a qualidade das estradas e arruamentos, a sinalização rodoviária, o saneamento básico … a par com iniciativas de outra monta e visibilidade como a aposta numa maior diversidade cultural. O que fez, fê-lo sem atritos, procurando os equilíbrios necessários, e sem alardes. Idêntica postura manteve ao longo da campanha eleitoral, quase não se dá por ela,ou porque confiante nos consensos que inteligentemente gerou e lhe vaticinam a vitória, talvez até com maioria absoluta, ou porque a Vida lhe ensinou que mais vale sê-lo que parecê-lo. Em Sintra Basílio Horta é … o meu presidente.

voto

2 comentários a “O(s) meu(s) presidente(s)

  1. Carla

    Manuel
    Bonito o que conta do presidente de Monforte, ainda há pessoas que pensam nos velhos que um dia foram crianças, adolescentes, homens/mulheres cheios de vida. Os velhos são sábios tem a sabedoria da vida.
    Pessoalmente voto nas pessoas não no partido que representam.

    Abraço
    Carla

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  2. Catarina Duro

    É tão gratificante ler o que vê na minha terra, ser os meus olhos, os meus ouvidos e sabe-lo tão sabedor do que se passa na vila que me viu nascer e que eu tanto amo. Se vivesse em Monforte tenho a certeza que também votaria neste Presidente , pois sei por aquilo que os meus familiares informam estar no caminho certo . Bem haja por gostar de quem tanto o aprecia. Abraço.

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