Cenas de um Casamento Real II

Junho de 2011

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Em 2011 foi um fartote de casamentos reais. Dois meses antes, em Londres, havia ocorrido o casamento do ano, entre William e Kate. A cobertura em directo da TVI havia sido um sucesso em termos de audiência, por isso a equipa ganhadora voltou a juntar-se, para desta vez rumar ao Mónaco. Eu e a Felipa Garnel fomos os primeiros a chegar. Encontrámo-nos no aeroporto da Portela, viajávamos no mesmo voo da TAP para Nice e partilhámos o mesmo táxi para o Mónaco, onde ficaríamos a saber, pelo motorista, que horas antes Charlene teria tentado fugir do casório, como o diabo da cruz, tendo sido impedida já no aeroporto pelos guardas do palácio.

A notícia nunca foi confirmada, mas que na manhã seguinte era grande o sururu em todo o principado, lá isso era. Passei o dia em reportagens, uma vez mais, para o “Você na TV” e para o A Tarde é sua”, em vários pontos do principado, mas desta procurando também ouvir, sobre o acontecimento, alguns dos muitos portugueses que ali trabalham na hotelaria e na construção civil, vivendo em BeauSoleil um pouco mais acima, já em França. Lembro-me, em especial, de uma reportagem que fiz numa loja “Ladurée”, por esta marca, nascida em Paris em 1871, ter criado para a ocasião “macarons” com as cores monegascas, o vermelho e o branco. Deliciosos, acrescento eu, pela suave acidulez que a compota de framboesas lhes emprestava.

Cafe de Paris Sign at Monte Carlo

Cafe de Paris Sign at Monte Carlo

O processo de preparação para o evento foi idêntico ao que utilizei para o casamento inglês. Muitas horas de pesquisa, agora sobre os príncipes do Monaco, com tudo o que lhes está associado em encanto (palavra nossa para definir “glamour”) , extravagância, irreverência e tragédia. Uma vez que não tenho problemas em ler em francês, nas vésperas, socorri-me igualmente de algumas publicações editadas no principado, sobre os preparativos para o casamento. Cheguei ao ponto de saber a história da casa que fez a imensa passadeira vermelha por onde os membros da realeza e personalidades famosas da moda, do cinema e da política desfilaram em direcção ao palácio dos Grimaldi. Todas as informações nunca são demais para uma emissão de muitas horas em directo e quando temos muitas vezes de falar, comentar, sobretudo em momentos em que nada de relevante possa estar a acontecer. É isso, o estar por dentro, que me dá segurança. Para tal passava as manhãs a estudar na esplanada do Café Paris, um belíssimo café/restaurante de 1868, decorado ao estilo “Belle Époque”, ao lado do Casino, e de frente para o Hotel com o mesmo nome, onde se havia hospedado grande parte dos convidados, mormente as figuras reais.

Estávamos em Junho, com o calor húmido típico da Cote d´Azur e era muito agradável volta e meia ser aspergido pela água fresca e perfumada que saia dos borrifadores instalados na esplanada. Não esqueço uma conversa que cumpliciei entre um guarda e um transeunte, possivelmente monegasco. Dizia ele ser feliz e que nada mais poderia desejar, por “fazer o giro” ali na praça do Casino, o local mais sedutor do principado, com um dia daqueles, com gente bonita à sua volta e o mar nos olhos. Como o compreendi!

O mesmo café de Paris seria o nosso poiso para jantar, em duas noites seguidas. A Felipa perde-se por um bom bife tártaro e segundo ela aquele era o melhor que alguma vez havia provado. Tinha razão sim senhor, mas o tártaro cá de casa não lhe fica atrás (a receita está no meu novo livro “As receitas cá de casa”). Ida directamente de Atenas, onde, não sem riscos, fez a cobertura dos tumultos ocorridos na capital grega aquando de uma terceira greve geral, juntou-se a nós a Judite. A própria me disse: “ainda ontem estava no meio do caos e agora aqui estou no Mónaco, no meio de toda esta opulência!”. Entretanto já o Júlio havia chegado, bem como a Cristina Reyna. Que animados foram aqueles jantares sob um imenso tecto de estrelas!.

No dia do casamento pela igreja, que antes já o do civil havia dado que falar por se achar a noiva triste e contrariada, lá nos dividimos tal como havia sucedido em Londres. A Judite e a Felipa ficaram na praça do palácio, com vista privilegiada para nos dar conta de quem era convidado e eu e o Julio ficámo-nos pelo porto Hercules, o mais antigo dos portos do principado, tendo como cenário os mais espectaculares iates, ali ancorados. E depois, foi o que se viu: uma belíssima cerimónia emoldurada por todo um deslumbrante cenário natural e uma Charlene chorosa, dando azo a todo o tipo de especulações, que diziam alguns que aquilo não era mais que um negócio para garantir a sucessão. No porto Hercules, a nosso lado, concentravam-se repórteres, comentadores e televisões de todo o mundo e houve mesmo quem me pedisse para falar mais baixo, tal a minha empolgação com toda a informação que desejava passar. Um desses comentadores era Jaime Peñafiel, jornalista e autor de diversos livros sobre a família real espanhola. Era ele quem dizia que a monarquia em Espanha tinha terminado com Juan Carlos. Instigado por nós não perdeu a oportunidade de dizer mal da, então, princesa Letícia. Talvez que as coisas tenham, entretanto, mudado e o empedernido jornalista se tenha rendido aquela que é hoje rainha de Espanha. Certo é que é o mesmo a dizer, agora, que Letícia terá transformado Felipe num homem amável e mais próximo.

De regresso a Portugal, ficámos a saber que as audiências voltaram a dar-nos a vitoria sobre os canais concorrentes, premiando assim todo o esforço de uma equipa empenhada e dedicada. Não sei quando voltarei a ter oportunidade de integrar uma cobertura jornalística de um evento tão mediático como foram estes dois casamentos. Pelo sim pelo não já tenho material suficiente sobre Isabel II de Inglaterra, mas a seguir o exemplo de sua mãe, quando Sua Majestade se finar já eu não estarei na televisão para contar.

Dezembro de 2011

O casamento no Mónaco espevitou a minha vontade em passar ali um Natal. Naquele Dezembro de 2011, hospedei-me no mesmo Hotel de Paris e passei a Missa do Galo na Catedral do principado, onde estão sepultados Grace e Rainier.

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3 comentários a “Cenas de um Casamento Real II

  1. Berta Veiga

    Como gostava eu de um dia passar o natal num local assim!mágico.Amo vê-lo com essa canadiana vermelha.Sei que tem muitos anos mas fica-lhe tão bem.

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  2. Aurora Fernandes

    Muitos parabens pelas belas imagens com eu nos presenteia e em especial a descrição pormenorizada e a escrita fácil de entender e bem esplanada.
    Beij

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  3. paulinha velez

    adorei o texto ..adorei a facilidade que tem em chegar ate nós e revi estes claramente estes acontecimentos como se estivesse lá..mas no fim parei quando escreveu que já não estaria na televisão no dia que a rainha partir,,como será a televisão sem si muito pior no meu mundo que a morte da dita senhora…ai ..ai (isto é um suspiro 🙂 tenho de aproveitar tudo o que puder consigo pois tudo passa a correr e não consigo imaginar esse dia! Quando nos disser adeus :)mas tudo o que decidir estou consigo pois a sua felicidade é o mais importante e não podemos ser egoístas beijs beijs

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