Em casa de José Lázaro Galdiano

No afã de tudo fotografar ou filmar, nem sei, por vezes, onde boto as mãos e o resultado acaba por se revelar quase desastroso (quem te manda a ti sapateiro…). Assim foi há dias, em Madrid, ao visitar a Casa Museu de Lázaro Gualdiano. Tão embasbacado me quedei perante a extraordinária beleza do quanto é em exposição que acabei por me baralhar todo entre as fotos e os vídeos que pretendia fazer e lá se perdeu parte do material que julgava registado. Salvou-se o que agora partilho consigo, sem outra pretensão que não seja a de lhe sugerir uma visita, em indo à capital espanhola.

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A Casa-museu fica no 122 da Calle Serrano, a mais chique das ruas de Madrid, muito por via das grandes marcas de roupa e acessórios, para damas e cavalheiros, que ali se exibem. Vai-se a ela, como quem vai à Via Condotti, de Roma, ou à do Faubourg de Saint Honoré, de Paris, mas desta resisti à tentação das montras e possíveis aquisições, já que o objectivo era, mesmo, o de entrar no mundo de José Lázaro Gualdiano, financeiro, intelectual, editor e coleccionador (1862-1947).

Impenitente viajante, percorre as capitais mais importantes do Mundo (Paris, Viena, Buenos Aires…) sempre em busca de novas peças para a sua colecção, que havia iniciado com apenas quatorze anos.

Toda a colecção espelha a personalidade do seu criador enquanto mecenas da cultura, os seus interesses intelectuais, o seu gosto estético e o seu cosmopolitismo. Era comum aos pensadores do seu tempo, uma ideia para o que era genuinamente espanhol, por isso o seu gosto pela espiritualidade de El Greco, pela sobriedade naturalista de Velázquez e pelo anti-academicismo de Goya.

São inúmeros os exemplos da cultura espanhola em toda a sua colecção, também na cerâmica, escultura, bronzes, mobiliário e joalharia. Desta última, diga-se que há toda uma mostra do que era de uso de Paula Florido, senhora endinheirada argentina, o que só lhe multiplica a fortuna pessoal, com quem casa em Roma, em 1903, e cujo nome é celebrado e perpetuado no jardim que abraça o palácio.

Este é o Palácio do Parque Florido. Também pela arte dos jardins Lázaro Galdiano se interessou mais do que era habitual naquela época em Espanha, basta analisar a quantidade de títulos que, sobre o tema, fazem parte da sua biblioteca, também ela notável. Já desde a segunda metade do século XVIII que o jardim era tido como símbolo fundamental da concepção culta de palácio cortesão madrileno.

Fiquei com ganas de voltar, para uma ou mais visitas, já que fica quase tudo por absorver. Depois, é a própria figura de Lázaro Galdiano que me interessa, até pelo que pressinto tenha sido uma das suas maiores frustrações: o reconhecimento dos académicos do seu tempo. Se a sua colecção era admirada pelos críticos estrangeiros, os espanhóis desvalorizavam-na, o que o levava a dizer: “Comigo, passa-se o mesmo que com Dom Quixote. Pisam-me os porcos, respeitam-me os leões”.

3 comentários a “Em casa de José Lázaro Galdiano

  1. Maria Emilia Cunha Lopes

    LINDO,tudo de mt bom gosto,só o MANEL nos pode mostrar essas coisas lindas.Só é pena k como eu há milhares de pessoas sem posses para puder ir ver e comer nesses sitios maravilhosos k oMANEL nos mostra,assim ficamos a conhecer um pouco do k há por esse mundo e as diferenças k há entre as pessoas.NEM tds podem ter as mesmas coisas.OBRIGADA E UM BJIO

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