À terceira foi de vez!

A primeira vez que fui a Windsor foi de passagem, para almoço e umas voltinhas sem destino, antes da viagem de regresso de uma estada de vários dias em Londres. A capital, a que volto sempre com o fascínio de quem quer ver musicais, bailado, ópera, exposições…. tão vibrante e rica é a oferta, consome todos os dias livres, por isso pouco ou nada conheço do resto do Reino, excepção feita a Edimburgo, na Escócia. Já então tinha achado a cidadezinha encantadora tendo logo decidido que a ela haveria de tornar com tempo, mais a mais a “meia dúzia de quilómetros” do aeroporto de Heathrow. Há cerca de dois anos tive tal oportunidade mas na maior das confusões. Aqui era então em trabalho e pouco lazer, para acompanhar, junto com a Judite de Sousa, o casamento de Harry e Meghan. Fiquei às portas do Castelo, bem como os demais profissionais das televisões de todo o mundo que tal como nós cobriram o evento, “esbarrei” em multidões eufóricas com o enlace, na apertada e necessária segurança que o acontecimento exigia e de Windsor ainda vi menos que da primeira vez. À terceira é que é, pensei antes mesmo de tudo marcar, que o faço sempre com grande antecedência, e do novo coronavírus começar a chatear. Já tinha perdido o fim de semana passado em Milão, com bilhetes comprados para o La Scalla, para assistir ao “Rigoletto” de Verdi, não ia agora anular também estes dias, no campo e sem ida que fosse à capital.

Foi desta que entrei no Castelo de Windsor , relho de mil anos, tão importante na história do Reino, que tudo começou como fortaleza ao tempo de Guilherme, o Conquistador, e tão do agrado da rainha Isabel II. Diz-se que esta é a sua residência real preferida, por isso aqui passa a maior parte dos fins de semana, e mesmo temporadas, ali por volta das corridas de Ascot, sabê-lo é fácil basta que o estandarte real esteja no mastro. Finalmente tive oportunidade de entrar na Capela consagrada a São Jorge, padroeiro do país, palco de casamentos reais, das cerimónias da Ordem da Jarreteira, a mais antiga distinção britânica de cavalaria, e onde jazem dez dos seus soberanos, nomeadamente Henrique, oitavo do seu nome, segundo monarca inglês pela casa Tudor, célebre pelo número de mulheres com quem casou, seis, pela frieza com que as despachava quando delas se cansava (Ana Bolena e Catarina Howard perderam a cabeça, literalmente) e pela cisão que provocou na Igreja de Roma, por Clemente VII não lhe anular o casamento com Catarina de Aragão, dando origem à Igreja Angelicana. Também ali estão sepultados os avós e pais da actual rainha. Dali passei às salas de aparato, triunfantes de tanto ouro, e ainda há que espreitar a impressionante casa de bonecas da rainha Mary, avó de Isabel II, prova do seu particular gosto pelas artes em miniatura. O dia apresentou-se frio como eu gosto, molhado, de chuva molha-todos, e melhor ainda foi o facto de praticamente não haver visitantes no Castelo.

Vantagens de viajar ainda no Inverno.

16 comentários a “À terceira foi de vez!

  1. Rosa Manuela

    Lindoooooo lindoooooo ….também já foi de visita a Londres e também não consegui entrar no castelo, mas depois de ler a sua descrição e ver as fotos que o senhor partilhou é como se lá tivesse ido ….
    Obrigada

    Responder
  2. Teresa

    Ja estive nesse castelo maravilhoso
    Dentro da capela sabe que a funcionaria que estava dentro da igreja ofereceu me uma cruz feita em palha
    Guardo a em casa religiosamente tem muito significado para mim .po la no meu altar relegioso que tenho em casa.
    Como o goucha diz fui feliz nesse sitio.
    A isso e que eu chamo de felicidade

    Responder
  3. Maria Emília Lopes

    Obrigada mais uma vez, pelas belas fotos que mostrou, só assim eu posso conhecer as coisas belas do mundo e que tanto admiro! Continuação de boas férias! Um abração

    Responder
  4. Paulinha Velez

    MLG
    Obrigado pela partilha, estamos sempre a aprender.. É um lugar mágico cheio de História.
    Parabéns pelo texto e claro pelas fotos

    Responder
  5. João Stoffel

    Antes de mais nada um muito obrigado por ser só o melhor apresentador da nossa televisão, uma pessoa culta apaixonada pelas artes e que compartilha com todos nós as suas experiências.
    A minha primeira memória de si no pequeno écran remonta ao programa Sebastião come tudo, depois foi vê-lo sempre a crescer, foram os anos no Praça, e daí em diante.
    Já o admirava bastante, mas quando fez o seu “coming out” a admiração que já sentia por si redobrou. Precisamos em Portugal de pessoas como o Goucha, que que partilham cultura e ajudam as combater todas as formas de descriminação, num país que embora já tenha percorrido um longo caminho nesse sentido, tanto continua por fazer. O seu apontar o dedo ao que precisa ser mudado faz toda a diferença.
    Por ser só um excelente profissional e uma pessoa de carácter excepcional um muito obrigado e que continue a entrar em nossas casas, ainda por muito tempo, por essa janela mágica que é a televisão

    Responder
  6. Maria Teresa Correia

    É sempre um gosto ler os seus textos tão bem escritos! Bela reportagem. Aplaudo!
    Já conheci meio mundo e ainda não fui, nem aos Estados Unidos, nem ao Reino Unido! Parece aversão ao wue é “unido”! Agora aguçou-me o apetite de lá ir.
    Um dia!
    Boa estada e bom regresso.
    Um beijo.

    Responder
  7. Inês

    Fico feliz pela oportunidade que tiveram de assim ser. Vivo dias complicados e um dos poucos momentos em que me ri mesmo com vontade foi com o vídeo que o seu marido publicou logo no início da vossa viagem, ainda no avião.Aproveitem ao máximo, um beijinho para os dois.

    Responder

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *