Começo por dizer que não sou especialista em nada disto; escrevo apenas como quem conversa com um amigo. Não trago verdades absolutas, trago apenas o meu olhar e aquilo que fui recolhendo pelo caminho. E é precisamente «Um sábado diferente» que me traz hoje aqui.
Por outras palavras
Fica a certeza de que os melhores momentos são quase sempre os que não estavam planeados. Não havia multidões, não havia filas, e isso tornou tudo mais fácil de apreciar. Fotografei portas, números de polícia, azulejos e um cão que dormia ao sol sem se incomodar com nada. Guardei um pedaço de pão para os pombos, como fazia em criança, sem pensar muito nisso.
Fico sempre a pensar em quem por ali passou antes de mim, a construir vidas com muito menos do que temos hoje. O céu ao fim do dia pintou-se de tons quentes, como se quisesse despedir-se devagar. Regressei a casa com a roupa a cheirar a campo e a cabeça cheia de imagens. Percebi que viajar não é colecionar pontos num mapa, é deixar que o sítio nos mude um pouco.
Pequenas notas soltas
Nada disto é complicado, mas tudo isto me importa. Falei com uma senhora que vendia doces e que me contou a história da sua família em poucos minutos. Há uma relação de proximidade entre as pessoas que se nota logo: cumprimentam-se, perguntam, param para conversar. É bom quando conseguimos nomear aquilo que sentimos.
Há sempre um detalhe novo que me escapa na primeira vez. Há uma serenidade nestes sítios que nenhuma cidade grande consegue imitar. E assim o tempo passa sem que a gente dê por isso. Andei bastante, cansei-me, e no fim sentei-me num banco de jardim a ver o movimento.
Anotei numa página de guardanapo três coisas que não queria esquecer, e ainda hoje as leio. Sou pessoa de hábitos, e isso traz-me alguma serenidade. O silêncio da manhã só era quebrado por um ou outro carro e pelo canto dos pássaros nos telhados. Vale a pena guardar estas coisas num canto da cabeça.
Sabores do lugar
Deixo-me ficar, às vezes, apenas a observar. O lugar tem uma luz própria, daquelas que obrigam a parar e a tirar o telemóvel do bolso. Prometi a mim mesmo voltar numa outra estação do ano, para ver tudo diferente. O lugar não é espetacular, e talvez seja exatamente por isso que me conquistou.
O que mais me agradou foi a forma despretensiosa como tudo me foi apresentado. As paredes caiadas brilhavam ao sol e davam ao conjunto um ar limpo e arrumado. Percorri ruas estreitas, subi escadas gastas pelo tempo e fui reparando nas casas de pedra e nas janelas floridas. À noite, as luzes ligam-se devagar e a rua ganha um ar de festa discreta.
Prefiro olhar para a frente sem esquecer o que ficou para trás. A paisagem abre-se de repente e obriga a respirar fundo, como se o corpo pedisse mais espaço. A vida é feita destas pequenas coisas que se somam. Cheguei sem grande plano, apenas com a curiosidade de quem gosta de descobrir ao ritmo dos próprios passos.
- Levar calçado confortável e não contar os passos
- Fotografar os detalhes mais do que os panoramas
- Parar sempre que apetecer, sem olhar ao relógio
- Guardar um objeto pequeno como recordação
- Provar a doçaria local antes de sair
- Escolher uma rua ao acaso e segui-la até ao fim
Fica a promessa
Um café tomado de pé, à porta de um estabelecimento antigo, soube-me melhor do que qualquer refeição elaborada. Comprei um pequeno objeto de artesanato, não por ser preciso, mas para guardar memória. Há lugares assim: não nos agarram pelo espetáculo, agarram-nos pela verdade. Voltei a pé pelo mesmo caminho, agora com outros olhos e com o coração mais leve.
O cheiro a lenha queimada acompanhou-me durante boa parte do trajeto. Aprendi que um lugar se conhece melhor a pé do que de qualquer outra forma. Não me arrependo de nada, e isso já é uma boa notícia. Fico com a impressão de que tudo se encaixa quando paramos para pensar.
Sentei-me à sombra e fiquei a ver as pessoas passarem, cada uma com o seu destino. Talvez seja simples, mas é verdadeiro. Vale a pena guardar estas coisas num canto da cabeça. Cheguei sem grande plano, apenas com a curiosidade de quem gosta de descobrir ao ritmo dos próprios passos.
| Jardim | Paz |
|---|---|
| Rua estreita | Curiosidade |
| Mercado | Vida |
| Café antigo | Aconchego |
| Praça ampla | Tranquilidade |
O essencial, afinal
É bom quando conseguimos nomear aquilo que sentimos. Voltei a pé pelo mesmo caminho, agora com outros olhos e com o coração mais leve. Um café tomado de pé, à porta de um estabelecimento antigo, soube-me melhor do que qualquer refeição elaborada. Fica a certeza de que os melhores momentos são quase sempre os que não estavam planeados.
Prometi a mim mesmo voltar numa outra estação do ano, para ver tudo diferente. A vida é feita destas pequenas coisas que se somam. Há uma serenidade nestes sítios que nenhuma cidade grande consegue imitar. À noite, as luzes ligam-se devagar e a rua ganha um ar de festa discreta.
Notas à margem
O silêncio da manhã só era quebrado por um ou outro carro e pelo canto dos pássaros nos telhados. O que mais me agradou foi a forma despretensiosa como tudo me foi apresentado. As paredes caiadas brilhavam ao sol e davam ao conjunto um ar limpo e arrumado. O cheiro a lenha queimada acompanhou-me durante boa parte do trajeto.
Talvez seja simples, mas é verdadeiro. Prefiro olhar para a frente sem esquecer o que ficou para trás. Percebi que viajar não é colecionar pontos num mapa, é deixar que o sítio nos mude um pouco. O céu ao fim do dia pintou-se de tons quentes, como se quisesse despedir-se devagar.
Falei com uma senhora que vendia doces e que me contou a história da sua família em poucos minutos. Há lugares assim: não nos agarram pelo espetáculo, agarram-nos pela verdade. Sentei-me à sombra e fiquei a ver as pessoas passarem, cada uma com o seu destino. Fico sempre a pensar em quem por ali passou antes de mim, a construir vidas com muito menos do que temos hoje.
Se puder, hei de regressar sem data marcada.



