Os doces “Casa de Mateus”

Os doces “Casa de Mateus”

Quando me pedem para falar deste assunto, percebo logo que tenho mais coisas para dizer do que imaginava. Não trago verdades absolutas, trago apenas o meu olhar e aquilo que fui recolhendo pelo caminho. E é precisamente «Os doces “Casa de Mateus”» que me traz hoje aqui.

Sem pressas nem pressões

A vida é feita destas pequenas coisas que se somam. Sou pessoa de hábitos, e isso traz-me alguma serenidade. Descobri que recordar é uma forma de agradecer. Recordo a luz que entrava pela janela ao meio da tarde e que fazia poeira suspensa no ar.

Nada era perfeito, e talvez fosse essa imperfeição que nos aproximava. Com o tempo percebi que também os silêncios contam histórias. Ninguém me explicava nada, e eu ia aprendendo a olhar. Tenho uma fotografia já amarelada onde se adivinham caras que hoje só existem em mim.

Regressar a esse dia

Rir à gargalhada por pouco era o exercício favorito daquela casa. Talvez seja simples, mas é verdadeiro. Voltar a esses lugares é sempre um pouco mais difícil do que pensei. Fecho os olhos e volto a ver tudo com a nitidez de quem esteve lá esta manhã.

É bom quando conseguimos nomear aquilo que sentimos. Aquilo que me marcou não foi o que me deram, mas a forma como me trataram. Costumávamos sentar-nos todos à mesma mesa, e isso hoje parece um luxo. Escrevo isto para que não se perca, para que fique em algum lado.

Não me arrependo de nada, e isso já é uma boa notícia. E, no entanto, é bom saber que estão lá, ainda que só dentro de mim. Passaram anos, mudaram as casas, mudaram os nomes, mas o essencial ficou igual. Havia sempre uma cadeira vazia à espera de alguém que chegava tarde.

Um detalhe que me marcou

As histórias repetiam-se, e nós pedíamos sempre para as ouvir de novo. Aprendi que a saudade não é tristeza, é uma forma de ternura. Sinto que devo estas lembranças a quem as viveu comigo. Lembro-me do som da porta a fechar-se e do cheiro do chão encerado, como se fosse ontem.

A minha memória é feita de gestos pequenos, não de grandes acontecimentos. Guardo na cabeça retalhos de conversas que não sei datar. Há sempre um detalhe novo que me escapa na primeira vez. Nada disto é complicado, mas tudo isto me importa.

  • Uma música que devolve um verão inteiro
  • Uma carta escrita à mão e ainda dobrada
  • Um cheiro que abre a porta do passado
  • Um objeto que pertencia a alguém da família
  • Um lugar que continua igual por dentro de nós
  • Uma fotografia antiga guardada numa gaveta

O que mudou desde então

Deixo-me ficar, às vezes, apenas a observar. Prefiro olhar para a frente sem esquecer o que ficou para trás. Entre o que recordo e o que imagino já não sei bem onde está a fronteira. Há um cheiro a pão quente que me devolve, de imediato, a uma cozinha que já não existe.

Fico com a impressão de que tudo se encaixa quando paramos para pensar. É por isso que insisto em contá-las, mesmo que só para mim. Vale a pena guardar estas coisas num canto da cabeça. As coisas mais vivas da minha memória não têm datas nem nomes, têm sensações.

Havia sempre uma voz a chamar pelo meu nome, e a certeza de que estava tudo bem. Os objetos guardam memória, e há os que eu não consigo deitar fora. Ficou-me a mania de guardar bilhetes, papéis e coisas sem valor nenhum. Aqueles dias pareciam não ter fim, e ainda assim acabaram depressa.

Aquele verãoAlegria
O que recordoO que sinto
Aquela casaTernura
Aquela conversaSaudade
Aquele silêncioPaz

Um ponto de partida

A memória é um lugar estranho: guarda pormenores insignificantes e esquece coisas que julgávamos importantes. E assim o tempo passa sem que a gente dê por isso. E, no entanto, é bom saber que estão lá, ainda que só dentro de mim. Nada disto é complicado, mas tudo isto me importa.

Prefiro olhar para a frente sem esquecer o que ficou para trás. Aprendi que a saudade não é tristeza, é uma forma de ternura. Tenho uma fotografia já amarelada onde se adivinham caras que hoje só existem em mim. Costumávamos sentar-nos todos à mesma mesa, e isso hoje parece um luxo.

Não me arrependo de nada, e isso já é uma boa notícia. Vale a pena guardar estas coisas num canto da cabeça. É por isso que insisto em contá-las, mesmo que só para mim. Rir à gargalhada por pouco era o exercício favorito daquela casa.

O tempo que passou

A memória é um lugar estranho: guarda pormenores insignificantes e esquece coisas que julgávamos importantes. Havia sempre uma voz a chamar pelo meu nome, e a certeza de que estava tudo bem. Havia sempre uma cadeira vazia à espera de alguém que chegava tarde. Aquilo que me marcou não foi o que me deram, mas a forma como me trataram.

A minha memória é feita de gestos pequenos, não de grandes acontecimentos. Voltar a esses lugares é sempre um pouco mais difícil do que pensei. Escrevo isto para que não se perca, para que fique em algum lado. Talvez seja simples, mas é verdadeiro.

Entre o que recordo e o que imagino já não sei bem onde está a fronteira. Guardo na cabeça retalhos de conversas que não sei datar. Nada era perfeito, e talvez fosse essa imperfeição que nos aproximava. Aqueles dias pareciam não ter fim, e ainda assim acabaram depressa.

Mais uma nota

Rir à gargalhada por pouco era o exercício favorito daquela casa. Aqueles dias pareciam não ter fim, e ainda assim acabaram depressa. Há sempre um detalhe novo que me escapa na primeira vez. Aquilo que me marcou não foi o que me deram, mas a forma como me trataram.

Fica isto, que é a minha maneira de não esquecer.