Quando me pedem para falar deste assunto, percebo logo que tenho mais coisas para dizer do que imaginava. Ao longo dos anos fui aprendendo a dar valor ao que é simples e honesto. Fica então esta conversa sobre «Joël Robuchon – Morreu mais um génio da gastronomia», para ser lida com a leveza com que foi escrita.
Do lado de dentro
E, quando isso acontece, qualquer pessoa entende o que está a ser dito. O talento é um ponto de partida, não é uma linha de chegada. É preciso coragem para mostrar o trabalho ao mundo e aceitar o julgamento. Atrás de cada momento brilhante estão milhares de horas de treino discreto.
Nada disto é complicado, mas tudo isto me importa. Gosto de ver o esforço transformado em resultado, sem saltos nem milagres. O talento impressiona, mas é a persistência que constrói uma carreira. Fico a pensar no que terá custado a cada um chegar até aqui.
Talvez seja simples, mas é verdadeiro. Nunca ouvi esta gente queixar-se do preço, e isso diz imenso. Por isso gosto de falar de quem trabalha com verdade. Fico com a impressão de que tudo se encaixa quando paramos para pensar.
Notas à margem
E é no processo que se faz a pessoa. Conheço quem trabalhe com uma exigência que chega a ser incómoda para os outros. O percurso é quase sempre mais interessante do que o destino. Assisti de perto e percebi que a dedicação não tem atalhos.
Uma boa técnica sem carácter não vai longe. Não me arrependo de nada, e isso já é uma boa notícia. Prefiro olhar para a frente sem esquecer o que ficou para trás. A vida é feita destas pequenas coisas que se somam.
Fico sempre comovido com quem insiste quando ninguém está a ver. Sou pessoa de hábitos, e isso traz-me alguma serenidade. O reconhecimento chega tarde, mas chega sempre, e quem o recebe sabe o que custou. A disciplina é uma forma de respeito por quem nos acompanha.
Olhando para trás
Em cada apresentação há uma entrega que o público sente, mesmo sem explicar. E levo daqui a lição de que o esforço raramente é em vão. Aquilo que distingue os grandes é a capacidade de continuar a aprender. Aprendi a admirar sem inveja, porque a admiração também se treina.
Vale a pena guardar estas coisas num canto da cabeça. E, no fim, é disso que se trata. E assim o tempo passa sem que a gente dê por isso. São estas pessoas que tornam o comum mais interessante.
É bom quando conseguimos nomear aquilo que sentimos. Prefiro as histórias discretas às grandes narrativas inflacionadas. Aquilo que fica não é o aplauso, é o exemplo que se deixa aos mais novos. Deixo-me ficar, às vezes, apenas a observar.
- Respeitar quem trabalha ao lado
- Aceitar a crítica como ferramenta
- Manter a humildade quando o elogio chega
- Não esconder o esforço por trás do resultado
- Estudar os que vieram antes
- Trabalhar todos os dias, mesmo sem vontade
Coisas que aprendi
Fico grato por ter visto de perto este tipo de entrega. Há pessoas que fazem parecer fácil aquilo que lhes levou anos a dominar. Fala-se muito do brilho e pouco das noites mal dormidas que o antecedem. Insisto com quem começa: trabalhe, mostre e não desista ao segundo obstáculo.
Há um ponto em que a técnica se torna linguagem. Há sempre um detalhe novo que me escapa na primeira vez. Nada disto é complicado, mas tudo isto me importa. Gosto de ver o esforço transformado em resultado, sem saltos nem milagres.
Não me arrependo de nada, e isso já é uma boa notícia. Uma boa técnica sem carácter não vai longe. Há um ponto em que a técnica se torna linguagem. Há sempre um detalhe novo que me escapa na primeira vez.
| Postura | Serenidade |
|---|---|
| Técnica | Perfeição tranquila |
| Aspeto | O que se nota |
| Ritmo | Consistência |
| Relação com o público | Verdade |
O dom que se nota
E assim o tempo passa sem que a gente dê por isso. Insisto com quem começa: trabalhe, mostre e não desista ao segundo obstáculo. Aprendi a admirar sem inveja, porque a admiração também se treina. Nunca ouvi esta gente queixar-se do preço, e isso diz imenso.
São estas pessoas que tornam o comum mais interessante. O talento é um ponto de partida, não é uma linha de chegada. Fico a pensar no que terá custado a cada um chegar até aqui. Fico sempre comovido com quem insiste quando ninguém está a ver.
Atrás de cada momento brilhante estão milhares de horas de treino discreto. Prefiro as histórias discretas às grandes narrativas inflacionadas. E, no fim, é disso que se trata. É bom quando conseguimos nomear aquilo que sentimos.
Sem pressas nem pressões
Fico com a impressão de que tudo se encaixa quando paramos para pensar. Deixo-me ficar, às vezes, apenas a observar. Conheço quem trabalhe com uma exigência que chega a ser incómoda para os outros. Prefiro olhar para a frente sem esquecer o que ficou para trás.
É preciso coragem para mostrar o trabalho ao mundo e aceitar o julgamento. Aquilo que distingue os grandes é a capacidade de continuar a aprender. A disciplina é uma forma de respeito por quem nos acompanha. E levo daqui a lição de que o esforço raramente é em vão.
Mais uma nota
Sou pessoa de hábitos, e isso traz-me alguma serenidade. São estas pessoas que tornam o comum mais interessante. Aquilo que fica não é o aplauso, é o exemplo que se deixa aos mais novos. Prefiro olhar para a frente sem esquecer o que ficou para trás.
Fica a admiração, que é sincera e simples.



