
É uma verdadeira descida às profundezas da terra, trezentos e setenta e oito degraus (a descer até Santa Bárbara ajuda, ou não fosse ela padroeira dos mineiros) para percorrermos três dos duzentos e quarenta e cinco quilómetros de galerias que compõem a Mina de Sal de Wieliczka, a dois passos de Cracóvia, inscrita em 1978 na lista do Património Mundial da Unesco. As palavras acanham-se perante a beleza e a atmosfera de quanto nós é dado a ver, entre corredores, lagos e câmaras, maravilhas naturais, e vestígios antigos de um trabalho de grande dureza que ali decorreu durante séculos. Nada se compara porém à Capela consagrada a Santa Kinga, rainha da Polónia, que se abre perante o nosso espanto, quando, duas horas depois de termos começado o percurso, já achávamos que o que faltava ver seria mais do mesmo. Dizem que é a maior e a mais bela capela subterrânea do Mundo e eu, até prova em contrário, acredito, que ainda agora lá voltei e experimentei a emoção da primeira vez.
Feita por mineiros/escultores com talento, o que mais surpreende, para além da sua dimensão, é o número de obras sacras que a decoram, todas elas esculpidas em sal, como, por exemplo, a estátua de João Paulo II. Até os lustres são feitos no precioso mineral. Ali pode-se casar, diz-se em jeito de graçola, com a vantagem de que uma vez lá dentro o noivo não consegue dar com a saída, assistir à missa de Domingo, à do dia de Santa Kinga (24 de Julho) ou à do Galo (ora cá está uma grande ideia para um dos meus Natais futuros!). Que as imagens que alinhei para si lhe espicacem a vontade de conhecer Cracóvia, cidade também ela Património da Humanidade, e o que as redondezas escondem. Entre num mundo que mais parece de Júlio Verne ou de J.R.R.Tolkien e sinta a vertigem do que é belo.


