Uma foto com história!

Tem vinte anos esta foto! Foi tirada em Macau, na Praça do Leal Senado, cenário para dois programas especiais da “Praça de Alegria”, meses antes da soberania do território ter sido transferida para a China. Esse foi aliás o pretexto para a realização dos programas, como que para dar a conhecer o papel dos portugueses naquela parcela de território chinês durante praticamente cinco séculos. Já antes lá tinha estado como visitante e no decorrer de uma viagem de um mês por terras e mares da China, mas não me tinha demorado o suficiente pela sua história, coisa que então pude fazer, durante os dias que antecederam as emissões especiais, dedicados às visitas e à pesquisa. Deambulei pelas ruas de Macau, entrei na Igreja de São Francisco, então repintada de fresco nas cores do Vaticano, um primor de recuperação, subi às ruínas de São Paulo, almocei no Clube Militar, fui ao Museu do Monte do Forte e ao Templo de A-Má, diz-se que anterior ao nascimento da cidade, mas foi numa livraria do centro histórico que acabei por me perder nas horas, tantos os livros editados na nossa língua mátria que queria comprar para me preparar devidamente para a minha função de perguntador, que isto é “mania” de que me orgulho há já muitos anos. Guardei dois dias inteiros para, fechado no hotel, absorver o máximo de informação através da leitura dos calhamaços que havia escolhido. Jazem agora nas estantes cá de de casa à espera ainda de voltarem a ter préstimo, que isto nunca se sabe se um dia o tema, por qualquer razão, não volta à liça.
Lembro-me de ter escolhido dois fatos, feitos por medida, num costureiro português residente em Macau, imperdoável não me lembrar agora da sua graça mas recordo-o como homem culto e inspirador, um artista. Fez-me um azul escuro e outro em castanho-terra, ambos de corte, digamos, oriental, que já então me preocupava com o jeito de me apresentar entendendo a roupa como fazendo parte do espectáculo.
Estão na foto os elementos da equipa, uns quantos idos do Porto (a Sónia, a Céu, a Luísa e o Carlos, respectivamente apresentadora, produtora, anotadora e realizador, todos com lugar cativo nas minhas mais doces memórias da RTP/Porto e no meu coração) e outros, todos de lá, da TDM, juntos fizemos duas emissões memoráveis, noite já instalada e comigo a dar os bons-dias a Portugal.
Na hora do regresso, no aeroporto de Hong-Kong, haveria de ser surpreendido pelo excesso de bagagem, bem que tentei distribuir os livros comprados pela Céu e pela Luísa, mas não foi suficiente para evitar que desembolsasse ainda uns avantajados dólares. E o que elas “gozaram” carregadas de chinesices: “mais valia teres ido connosco às compras, que agora não pagavas excesso!”.