
“Bem, o casaco que o Angélico vai usar é a tua cara! Ainda mais bonito que o teu!” atirou-me a Júlia (Pinheiro) no seu jeito deliciosamente endiabrado, mal eu cheguei ao Tivoli para os ensaios gerais daquela que seria a gala de Natal da TVI, de 2006. Era lindo, sim senhor, pude comprová-lo, negro com coroas bordadas a fio dourado, adequado para uma festa e a uma figura
carismática, rei no coração de milhares e milhares de fãs. Ainda falámos sobre o casaco com graça e alguma picardia, que sempre me demorei nas conversas com ele, porque marcadas pela sua simpatia e pelo seu sentido de humor e assim fiquei a saber que era assinado por Gianfranco Ferrè, celebrado criador de moda italiano durante alguns anos ligado à Casa Dior. O
assunto finou-se ali, em bastidores, que não tardaria e estaríamos todos no palco, a dar o nosso melhor.
Passaram doze anos, é novamente Dezembro, mês da Natividade de Cristo, e da nossa também, e eis que me chega pelas mãos da Sandra Figueiredo, investigadora na área da psicologia e colaboradora do nosso programa, um presente enviado pela Filomena, mãe do Angélico. “O Angélico tinha-o guardado para lho oferecer, não teve foi essa oportunidade”. Ainda não o tinha tirado do papel de seda que o abraçava e toda aquela cena voltava ao meu olhar molhado. Quisera ter fé para acreditar que algures, nas alturas, estava o Angélico a ver o mundo todo. E a rir com a minha emoção.





