UM PEDAÇO DE CÉU

…ou apenas o meu jardim!

Nasci em Lisboa, cresci em Coimbra, passei os verões da minha infância na Figueira da Foz e oito anos da minha adultez profissional no Porto. Esta é a minha geografia sentimental, pelo que impenitente urbano sempre me assumi… até ao dia em que ganhei um pedaço de terra a que chamo meu, apesar realmente dele ser do banco a quem estou a pagar. Nunca até então havia deitado mãos à terra para plantar o que quer que fosse, visto um ninho de pássaros, cheirado a relva acabada de cortar, abraçado uma árvore… emoções que experimento e repito vezes sem conta desde que virei costas à cidade grande, vai para treze anos, e sempre com o encantamento de uma primeira vez.

SONY DSC

SONY DSC

SONY DSCO jardim enche-se das cores que são das folhas, das ervas e das flores, e mais aquelas com que o visto, todos os anos em chegando a Primavera. Reciclam-se almofadas e coxins, repintam-se as mesmas mesas e cadeiras e até uma velha arca de torna-viagem, com muito para contar lá dos Brasis para onde um avô foi à procura de melhor sorte que a de tudo perder ao jogo e com mulheres, ganha novo préstimo apesar da antiguidade.

SONY DSC

SONY DSCSONY DSCAqui sou feliz, sabendo que há vidas novas nos pinheiros e choupos e que só não vingam se acabarem abocanhadas por algum dos cães… olhando os pombos que, em bando, regressam à casa do vizinho columbófilo…”ouvindo” a horta a crescer em verdes e cheiros que hão-de mais tarde triunfar à mesa.

pedaço de céu8

A inveja, a intriga, a mesquinhez… não moram aqui, que grande é o sortilégio da Vida, em cada raiz, em cada rebento, em cada gotícula…

Talvez agora perceba porque não troco este pedacinho de céu por uma festa, ou mera exibição de vaidades.