Um lugar novo sendo, porém, muito velho!

Novo, porque reabilitado a partir de uma memória longínqua, daí o ser muito velho. Parece confuso mas não é, eu explico: falo-lhe concretamente do Jardim Botânico do Palácio Nacional de Queluz, um espaço recuperado e reabilitado recentemente (e já premiado a nível europeu) no local onde antes o havia sido, isto ao tempo de D. Maria I e de seu marido Pedro III. Um espaço de pequena escala se tomarmos como exemplo outros jardins botânicos, como o de Coimbra ou o da Ajuda, usado exclusivamente para recreio e entretenimento da corte. Degradado por fenómenos naturais foi acabando por perder a sua função original tendo sido um roseiral nos idos de quarenta e posteriormente usado como picadeiro para alguns espectáculos da Alta Escola Portuguesa de Arte Equestre.

O notável trabalho de reconstituição cumpriu escrupulosamente o traçado original juntando peças de estatuária que se encontravam espalhadas pelos jardins do Palácio, replicando as espécies botânicas ali existentes à época, segundo a listagem fornecida à rainha piedosa pelo seu próprio médico, o famoso Morais Soares, e reconstruindo as quatro estufas que na altura também existiam. Tal como então, segundo registos históricos encontrados, nelas continua-se a produzir ananás, esse fruto que de tão raro e exótico só podia mesmo ir à mesa dos reis.

Da próxima que for ao Palácio Queluz não esqueça que há mais para ver nos seus jardins.