Um Homem

rodrigo guedes carvalho

Reconheço-lhe o carácter dos homens justos, através das causas que defende, sem imposturice ou hesitação. Há dias, disse ser poucochinho isso da “violência doméstica” para definir um verdadeiro flagelo da nossa sociedade, esse da “violência sobre as mulheres”. Sim, faz sentido, pensei, e mesmo assim ainda é pouco face à humilhação, ao sofrimento, ao martírio… por que passam milhares de mulheres, às mãos dos que, um dia, juraram amá-las e protegê-las. Ontem, aproveitando a ida a palco para a entrega de um globo de ouro, na cerimónia anual da SIC, que premeia o talento e a excelência, Rodrigo Guedes de Carvalho voltou a falar deste crime, que de um crime se trata e pelo que se tem visto, arrisco a dizer, banalizado, apelando à união dos decentes e corajosos, no sentido da reflexão e da acção. Fê-lo de mão na mão da Bárbara, como se aquela fosse a mão de todas as mulheres que, diariamente, são moídas de pancada e vivem na dependência psicológica dos seus algozes.

Triste, muito triste, foi ler depois nas redes sociais os comentários de algumas mulheres (que dos trastes não esperava outra coisa) achando que aquele não era o local para tais palavras!! Mas há uma tribuna ideal para se denunciar o abjecto, o inadmissível? Bem fez o Rodrigo ao lembrar, por antecipação, que “os artistas não são apenas sorrisos numa passadeira vermelha e que a Arte sempre esteve na primeira linha contra o mal…” (por isso, aproveitando a deixa, também não entendo porque é que alguns dos seus oficiantes cedem à tentação do vulgar, do mesquinho, quando não mesmo do maligno). Ontem o Rodrigo foi, uma vez mais, um homem decente e corajoso? Não, ontem o Rodrigo foi, uma vez mais, um Homem. Os que humilham, maltratam, anulam, aniquilam… não são mais que homúnculos!

Conta comigo, Rodrigo!