
Lá o ser caracterizado, por quase duas horas, que isto não foi só pôr um pózinho, e botarem-me vinte anos em cima, “é como ó outro”, até gosto deste “fazer de conta”, ou não tivesse andado vários anos nas teatradas, agora ter de vestir um deprimente fato de treino já é demais, logo eu que faço tenções de me ajanotar até ao último dos meus dias. Bem sei que era para o ” boneco”, mas protestei pela visão redutora da velhice. Porque é que velho tem de ser sinónimo de caquético e sem brio?! Comigo não, a não ser que fique “lélé da cuca” e por isso já não tenha mão no meu destino. Fato de treino, banco de jardim, jogos de cartas…nunca, que se não me der treco algum hei-de sempre cuidar de mim, vestir-me de cor e continuar a festa até que a Vida se apague. Seja, então, por amor ao programa, uma vez sem exemplo. Mas que a prova foi tocante lá isso foi, que a ideia de estarmos envelhecidos só tinha a ver com a surpresa que reservada estava para os concorrentes: cozinhar com os seus avós.

O encontro entre avós e netos não podia ter sido mais emocionante. Queríamos cozinha de conforto, aquela que desperta memórias e neste caso vivências em comum e o resultado foi o que se esperava: receitas feitas de verdade e ternura. Ganhou a dupla João Mata e avó Celeste com um perfumado ensopado de borrego e ainda um bolo de chocolate e framboesa, já que também a feitura de uma sobremesa fazia parte do desafio. A Rosarinho uma vez mais brilhou ao mais alto nível com um dos seus magníficos bolos mas também com uma receita de perdiz com puré de batata gratinado e ovo pochê , delicada tal como a sua avó Carmen. Também a paelha e o bolo de leite, natas e calda de ananás, da Maria e do avô Acácio foram muito gabados e por isso a dupla ficou em terceiro lugar.

O penúltimo programa começou logo com uma prova diferente, uma verdadeira volta ao mundo dos sabores e por isso o estúdio virou um aeroporto, com tudo pensado ao pormenor, até nós, jurados, estávamos como manda o figurino. Seria o tapete rolante a desvendar as bagagens vindas de longes paragens, como África, América do Sul, Médio-Oriente… sendo que cada uma delas escondia os ingredientes com que os concorrentes deveriam cozinhar. Para baralhar ainda mais, cada mala deveria comprada com minutos tirados ao tempo total da prova. Ninguém quis a mala do Médio-Oriente pelo que acabou nas mãos do Pedro Jorge sem penalização de tempo. O Tomás, a Maria e o João Mata revelam-se neste desafio como os mais capazes e criativos. E se formos a ver qualquer um deles tem-se afirmado como forte candidato à vitória final. Nesta altura da competição, e a uma semana apenas da final, já não tínhamos dúvidas de quem seriam os quatro finalistas.

A temível prova do sushi, capitaneada pelo Chef Paulo Morais, dificilmente poderia ter alterado o quadro, dados os pontos acumulados pelos concorrentes mais fortes. Assim, desta vez, saíram o Kiko e o Pedro Jorge. Se o Kiko a pouco e pouco se foi revelando um discreto, seguro, talentoso e eficaz concorrente, o Pedro Jorge foi desde o primeiro momento a coqueluche do programa. A ele se fica a dever em grande parte o sucesso deste primeiro MasterChef Junior de Portugal, não pelo seu talento culinário, que o tem inegavelmente para as viandas, o mesmo não se podendo dizer no que diz respeito aos peixes e doces, mas pela sua graça, irreverência e espontaneidade. Já aqui gabei a sua cativante e inesquecível personalidade mas na hora de escolher os quatro finalistas isso pouco conta ou não fosse MasterChef o maior espectáculo televisivo de culinária do Mundo. Aqui avalia-se e premeia-se o talento culinário e nada mais.
Assim sendo, Maria, Rosarinho, Tomás e João Mata são com toda a justeza os grandes finalistas de MasterChef Junior. Não poderia ser de outra maneira dadas as provas que qualquer um deles prestou ao longo das últimas nove semanas, marcadas pela criatividade, pelo engenho e pela técnica.
Na próxima semana:

Viveremos na cozinha do MasterChef Junior, e fora dela, as últimas arrebatadoras emoções. Dos quatro finalistas um sairá vencedor. Quem será? Já falta pouco para saber!


