Será rezinguice minha esta de achar que trabalhar de calções e de havaianas num estúdio de televisão é demais?
Em chegando os primeiros calores, em vendo as primeiras pernas ao léu e pezinhos achinelados, é sabido que volto ao mesmo. Não consigo entender porque se há-de aliviar tanto a farpela, se no estúdio a temperatura não vai além do agradável, uma vez que sou dos que não dispensa o ar condicionado. E mesmo que estivesse “de ananases”!
Tenho que tal prática é abater um princípio sagrado: o respeito pelo trabalho. E pelos outros. É que mesmo atrás das câmaras, está-se em contacto com quantos ali, diariamente, recebemos, nem que seja para “dois dedos de conversa”.
Sou pelo traje compatível com o local e função em que oficiamos e os outros, sempre outros, com quem lidamos. Sou pelos códigos de vestuário, com nexo. Não se vai para o trabalho como quem vai para uma esplanada, acho eu.
Não se veja nisto uma guerra aberta contra quem todos os dias, do meu lado, cumpre as suas funções com profissionalismo e eficácia. Um a um são-me vitais, para que também eu possa fazer a minha parte e por todos tenho estima, mas isto sou eu agora a dar forma de letra ao que muitas manhãs verbalizo, mal chegado à reunião das oito.
Foi numa dessas reuniões que alguém me disse: “Ó Manuel Luis , ontem, por exemplo, vinha cá um ministro ao “Jornal das Oito” e eu fui a casa trocar os calções por umas calças”.
Pior a emenda… dobrei o pasmo, que agora a questão já era outra, ou talvez não, que isto anda tudo ligado: porque há-de um ministro merecer maior deferência que um operário, uma peixeira ou seja lá quem for?
Só na cabeça dos subservientes!
É, isto deve ser da idade! Da minha idade! Mas de calções, pernas lisas e sapatilhas, só mesmo de vacanças, fim de semana, ou no recato do meu jardim.

Ainda estive para aqui publicar, ilustrando assim a prosa, algumas fotos tiradas à socapa das pernas dos colegas, o que não seria honesto da minha parte, por isso optei por umas quantas fotografias de férias passadas, até porque, convenhamos, tenho cá uma pernoca!


