RICA “PATADA”

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Que o paladar tem memória há muito que o sabia, por isso não estranhei que ao olhar esta foto logo recuasse ao tempo de gaiato e lembrasse quantas vezes pedi à senhora minha mãe para ir à “Brasileira”, comprar uma “pata de veado”. Já se me cresce água na boca, por conhecer a suculência do bolo, que tenho, ainda hoje, como preferido, ensopado em calda de açúcar, embrulhado em coco ralado e coroado pelo amarelo das gemas em creme. Vamos por partes para que possa entender a história. Era em Coimbra, se bem que seja alfacinha, ao tempo dos meus estudos liceais. A minha mãe era manicura no Salão Azul, o cabeleireiro da burguesia da cidade, pelo menos, nos anos sessenta. Acabadas as aulas, passava por lá para fazer tempo e voltar com ela para casa. E como eu gostava de fazer, braço dado, todo aquele caminho a pé, ruas Ferreira Borges e Visconde da Luz abaixo, que a casa era logo ali ao virar da esquina, no Pateo da Inquisição. Ficava, então, a afamada “A Brasileira” em frente ao Salão Azul e rivalizava em qualidade do que exibia e oferecia com o Nicola e o Café Central, todos no dito percurso. Outros tempos, quando os cafés faziam parte do quotidiano da cidade e se enchiam de estudantes e futricas. O café que havia nascido para a cidade e tertúlias em 1928 foi encerrado em 1995 para dar lugar a um pronto-a-vestir, mas poderia ter sido para uma agência bancária que nos entretantos esse foi fadário de muitos cafés e lojas históricas. Passados dezassete anos, em 2012, o espaço acabaria por regressar à sua vocação original, para gaudio de quantos têm memória, agora como a moderna “A Brasileira” onde, contudo, se continua a prometer o melhor café de Coimbra e, acrescento eu, as melhores patas de veado.

www.abrasileira-coimbra.com