Com o aparecimento das redes sociais não há dúvida que os papéis se inverteram. Hoje são as pessoas conhecidas e estimadas por centenas ou milhares de fãs que, através das suas plataformas digitais, fazem a sua própria notícia, dando a conhecer o que bem entendem da sua vida profissional e/ou pessoal e são as revistas e jornais (os que se interessam por essas figuras, evidentemente) que andam a reboque do que é partilhado nos respectivos Facebook, Instagram, blogues, entre outros produtos digitais, alimentando assim páginas inteiras das suas publicações em papel, e notícias nas suas próprias plataformas.
Hoje mais do que nunca impõe-se a questão: “quem precisa de quem?”.
Falo por mim: se o meu mural no Facebook (Manuel Luis Goucha – TVI) é, acima de tudo, uma verdadeira ferramenta de trabalho de apoio ao programa que apresento diariamente na TVI, para divulgação de conteúdos e tomada de conhecimento de muitos assuntos passíveis de serem levados à antena, este meu blogue existe porque gosto de escrever e de partilhar opiniões sobre o que aprecio, o que vejo, o que sinto, o que faz sentido na minha vida. Por isso a maior parte das minhas publicações terá a ver com viagens, espectáculos, livros, exposições, casas com história, memórias … entre muitos outros estados de encantamento, nele cabendo também as receitas cá de casa ou a descoberta de um bom vinho, entre outros prazeres mais prosaicos mas que igualmente fazem o que homem que sou! Já no Instagram, procuro justificar o gosto autodidacta que tenho pela Fotografia. É ver-me sempre de máquina em riste à procura de um outro olhar, de uma outra perspectiva, por vezes a vontade de eternizar o que não é repetível!!
Confesso que ao alimentar, por prazer, o meu blogue e Instagram, com alguma regularidade, num exercício de sincera partilha com quem me segue e muitos milhares serão conforme é visível pelo número de gostos, comentários e visualizações, esqueço-me que estou igualmente a alimentar quantos vasculham as redes sociais das figuras conhecidas em muitas casos à procura de “lenha” para as “chamuscar” ou ridicularizar. Basta adulterar o sentido do que é partilhado, descontextualizando afirmações ou redescrevendo um texto.
Tomemos por exemplo a notícia publicada ontem no sítio da revista “Nova Gente” sobre as minhas actuais férias que têm decorrido no sul do país, redigida a partir do que tenho mostrado nas minhas redes sociais.

Vamos por partes:
“Manuel Luis Goucha e Rui Oliveira escolheram o refúgio doMonte de Monfortepara fazer férias”
– por certo quem escreveu sabe que no Alentejo dá-se a designação de “monte” à casa da herdade, por muito grande ou pequena que esta seja, não se tratando neste caso de uma unidade de turismo rural onde me tenha hospedado e tantas há, magníficas, por esse Alentejo fora, mas sim do monte da Herdade da Pesqueirinha, a nossa herdade no concelho de Monforte. A ser assim, nada a dizer!
Já o parágrafo seguinte denota canhastrice ou ignorância:
“Os dois andaram de caiaque insuflável junto à baragem de Fronteira e fizeram ainda um piquenique nas margens deste rio”.
- Comecemos pela palavra barragem que leva dois erres, mas admito que tenha sido apenas uma gralha gulosa, agora que seja a barragem de Fronteira!!! Desconhece quem escreve que muitas herdades terão a sua própria barragem, como presa de águas de nascente e da chuva, e outras terão charcas. Neste caso piquenicámos, sim senhor, nas margens do lago e não de um rio, da barragem da nossa herdade.
Conclui a notícia:
“Já em terra firme os dois pombinhos regaram a refeição com um branco fresquinho de Terras de Alter e comeram uma piza congelada!”
– Saboreámos sim um branco fresquinho da adega “Terras de Alter” que tem sede em Fronteira, mas o que não suporto é a graçola dos “dois pombinhos”! Também a revista VIP resolveu dizer, fazendo o mesmo exercício de rapinagem, que andávamos em “lua de mel”. Ó senhores deixem-se de mariquices ridículas que aqui o que vêem são dois homens que, sim, vivem juntos há vinte anos porque gostam um do outro e nada mais! Tão natural e uns quantos manhosos a quererem torná-lo anormalmente grotesco, para que depois venham os néscios do costume bolsar ódios e frustrações. Nada é inocente!
No topo da notícia do site convida-se o leitor à assinatura da revista, pressuponho que na sua versão digital. Para quê? – pergunto eu, se hoje em dia basta procurar nas redes sociais, das figuras que se apreciam, aquilo que nos interessa saber, de forma credível e com um maior alcance. Por mim falo, quantas tiragens de uma revista serão necessárias para atingir um milhão de pessoas (tantas as que tenho, orgulhosamente, por exemplo, no meu Facebook!)? Afinal e voltando à questão: “quem precisa de quem?”. Felizmente que jornalismo ainda é outra coisa!


