Hora de petiscar




O segredo está no tempero e na assadura do pernil. Uma assadura lenta, de doze horas, para que a carne se esfiape ao ser fatiada. O pão também tem que se lhe diga: feito de mistura, propositadamente para a casa, é ele, que depois de aquecido recebe os generosos fiapos de pernil e mais ainda uma fatia de queijo da Serra . O queijo com a quentura do pão há-de derreter e misturar-se com a carne, pelo que o recheio é de lamber os beiços. Para acompanhar, manda a casa, um copo de verde de Baião. Assim é há um ror de anos na Casa Guedes, que a receita dos antigos donos, foi melhorada pelos actuais, os manos Correia, que falam do negócio com indisfarçável orgulho. Também não é para menos, que há quem venha de bem longe pelo petisco, tal a fama que o precede. Assim foi com duas americanas da Califórnia, no dia em que lá fui. Estavam no Porto há quatro dias, já lá tinham estado no dia em que chegaram e naquela manhã, ainda não eram dez horas, quiseram de novo repetir o pitéu antes de seguirem viagem de regresso aos States.
Casa Guedes
Praça dos Poveiros, 130
Porto



A dez minutos da Casa Guedes outra barra nos tenta, desta com os afamados cachorrinhos da Batalha. Da Batalha por estarmos junto à Praça, mesmo ao lado do Teatro Nacional de São João, cachorrinhos, porque é disso que trata, mas não se pense que são estes iguais aos que por aí se comem. A começar pela salsicha, esta é fresca o que já faz toda a diferença. Depois, leva linguiça, queijo em fatia e um molho feito de picante e alguns segredos, apurado em terno lume. Até estala na boca! O negócio tem largas décadas e a receita mantém-se a original, sem tirar nem pôr. Certo é que num dia bom, e tantos são, vendem-se mais de trezentos cachorros. Eu que os provei posso dizê-lo: só me apetece ganir…de prazer.
Cervejaria Gazela
Travessa Cimo de Vila, 4
Porto


