
No monte guardo objectos que me fazem viajar a um tempo já distante mas não perdido, que deste jeito avivo memórias e estórias de quando era catraio e tudo me deslumbrava.


Sobre a lareira há uma fiada de utensílios de cobre: dos caçoilos das compotas e geleias, feitos de frutos, açúcar e muito vagar, à forma do pudim de ovos, com que se celebrava o Domingo, passando até pelo que resta do braseiro com que se aquecia a noite.

Na cafeteira de louça esmaltada já fumegou a cevada. A manhã ganhava, então, um cheiro que confortava.

Também o coador era de louça esmaltada e havia ainda tachos, panelas e pratos. Naquele tempo era uma louça popular entre pobres e remediados. Tinha era que se ter cuidado porque, apesar de não partir, por vezes esbeiçava com um toque mais violento.

Primeiro era com um garfo que acastelava as claras, enquanto a minha mãe batia demoradamente as gemas com o açúcar em creme fofo e esbranquiçado. Só depois houve um batedor, como este em espiral, e a coisa melhorou um pouco, já não era tanta a trabalheira, mas melhor mesmo foi quando apareceu a batedeira eléctrica, essa sim revolucionou hábitos, poupando tempo e esforço.

Era na lata que se guardava o pão para a serventia diária, do pão de maminhas, de farinha triga, ao mais escuro de centeio, mas do que eu gostava mesmo era da broa, amarelinha do milho e estaladiça do forno de lenha.


