Há um ano, por esta altura, vibrava com a ideia do chef Rui Paula, meu companheiro de júri no MasterChef, ir explorar a antiga casa de chá da Boa Nova, em boa hora requalificada pela Câmara Municipal de Matosinhos, através de profundas obras de recuperação do edifício e reprodução do mobiliário, de acordo com os desenhos originais de Siza Vieira e sua permanente orientação, pondo-se assim fim aos anos de abandono a que esteve votado aquele que é desde 2006 Monumento Nacional. Não tinha dúvidas que seria um sucesso, a começar pela beleza e singularidade do projecto em si, símbolo absoluto do que se entende como inserção da arquitectura na paisagem e que marca o início da carreira do nosso mais conceituado arquitecto, vencedor, em 1992, do prémio Pritzker, e a terminar na criatividade culinária e bom gosto de Rui Paula.
O chef entendeu o mar, que ali nos enche o olhar, como fonte de inspiração e por isso no prato o festim é do peixe e do marisco, em interpretações modernas, ousadas e inevitavelmente arrebatadoras. Se a tudo isto acrescentarmos a impecabilidade de todo o serviço, tenho para mim que este recente sonho de Rui Paula é mais do que merecedor de uma estrela Michelin. Tenho dito!



