
Foi em Outubro de 1999 que me hospedei pela primeira vez no mítico hotel “La Mamounia” em Marrakech.
Amália tinha falecido, havia poucos dias, e esse foi o pretexto para meter conversa com Charles Aznavour, à beira da imensa piscina. Da artista que tanto admirava, a ponto de ter escrito para ela uma das suas mais belas canções de amor (“Aie mourir pour toi”), Aznavour disse-me na altura: “não há quem seja insubstituível, mas há pessoas muito difíceis de substituir. Amália é uma dessas pessoas!”.
Quinze anos depois voltei ao “La Mamounia”. O hotel inaugurado em 1923, tendo passado por diversas remodelações, a última das quais levou três anos (2006/2009), mantém todo o seu charme e elegância. Há muito que é uma lenda na hotelaria internacional e há mesmo quem diga que muito terá contribuído para a imagem de Marrakech no Mundo. O “La Mamounia” é único, pela beleza de toda a sua decoração entre arte nova e estilo mourisco, pela excelência de serviços, pelos magníficos jardins, onde o olor das rosas e do jasmim nos envolve em doce afago, e pela exuberante carteira de clientes fidelíssimos: Winston Churchill (que acabou por dar o nome a um dos seus bares), De Gaulle (para quem se construiu uma cama à medida), Yves Saint-Laurent, Edith Piaf, Ray Charles, Elton John, Marlene Dietrich, Nixon, Reagan, Jacques Chirac, Catherine Deneuve, Gwyneth Paltrow, Salma Hayek, Sharon Stone…
… e milhares e milhares de anónimos como eu, que se há quinze anos era reconhecido, na rua, como “le journaliste portugais”, e vim a perceber depois que me viam aqui através da RTP Internacional, não que percebessem peva do que dizia no “Praça da Alegria”, mas porque procuravam os seus patrícios jogadores da bola, então, ao serviço do Sporting, agora sou apenas um entre tantos visitantes seduzidos pela cidade rosa.
Marrakech tão perto de nós e tão diferente!












