O Monte da Sempre Noiva

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Pois não deu para lá entrar e assim vê-lo de frente, que a propriedade é privada e os senhores estavam em casa a dormir a sesta. É agora dos herdeiros de Arsénio Cordeiro (estudioso e conhecedor do mundo equestre e um dos grandes responsáveis pelo livro genealógico do cavalo lusitano) este paço construído na transição do século XV para o XVI e a ele se liga uma lenda, a da “sempre noiva”, ainda que se lhe conheçam, pelo menos, duas versões. Em qualquer uma delas há uma donzela que fica eternamente à espera de casar, seja Beatriz, filha de D. Afonso, bispo de Évora, noiva de um nobre espanhol até ao dia em que este fugiu a sete pés dos cornos de um touro tresmalhado que lhes saltou ao caminho (valeu-lhe a valentia de um maioral que a salvou e por quem se apaixonaria. O pai porém não permitiria o casório com um homem de condição mais baixa, preferindo então Beatriz ficar para tia), seja a dama que ficou nubente em má altura, logo quando a vila de Arraiolos foi atacada e o noivo teve de partir para combater (neste caso era o tempo das lutas entre cristãos e mouros). Diz a lenda que passaram muitos anos, tantos que quando o noivo voltou já a prometida havia perdido toda a sua beleza e por isso se apresentou embrulhada num tapete (de Arraiolos).

Também o paço se ressente das marcas do tempo porém não perdeu a dignidade. “Lá dentro é uma beleza, só visto!” – quem o diz é a sua simpática caseira que me contou as lendas e diz não ter medo de almas penadas. Deu para tirar fotografias do lado de fora e perceber que também o exterior conserva ainda alguns elementos arquitectónicos e decorativos que felizmente resistiram. Pena não estar pintado… de branco, que nem bolo da sempre noiva. Gosto de casas com história(s).

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