
Na ânsia de me dar no melhor, “fujo” do inesperado como o “diabo da cruz”. Por isso, confesso, não dou dado ao improviso, se bem que não me atrapalhe quando só ele me pode tirar de apuros. Gosto de ver dançar e lembro-me, rapazelho, de ficar deslumbrado com as provas que via na pantalha, em competições de pares deslizantes, mas sempre me achei com falta de pé para o baile. Também gosto de pintura, preciso dela para respirar, e nunca me passou pela cabeça pegar numa paleta e por-me a borrar. Investi noutras áreas onde me sinto completo. Por isso, o recente desafio que a Cristina lançou, “à queima-roupa”, para participar no seu programa “Dança com as Estrelas”, me ter colhido de surpresa e quase tolhido as forças, deixando-me à beira da recusa ou desistência, não fosse ser dos que foge para a frente em cheirando o medo.
Seis dias de ensaios, três horas em cada, resultaram num tango a três, se bem que a valer mesmo estivessem a Milene e o Edgar, unidos há muito pela dança e pela paixão. Generosos, abraçaram-me num desejo partilhado de superar uma prova, a um tempo, assustadora e desafiante. Ontem no salão maior da televisão foi imenso o minuto da dança. Pela emoção, pelo calor do afecto e pela descoberta. Não sei se dancei, mas sei que naquele minuto vivi, princípio e fim.





