O meu Natal 2015

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Para mim Natal é passá-lo fora, na Ópera da Bastilha, por exemplo, vendo bailado, e não há muito que saber, nesta altura do ano ou é a “Bela Adormecida” ou o “Quebra Nozes”, um ou outro com soberba música de Tchaikovsky, e depois ir cear, sabendo que na noite de Natal não há restaurante que não esteja aberto e lotado. Outros hábitos e não deixa por isso de ser Natal. Também gostei de uma vez que passei em Amsterdão num concerto de canções natalinas, sem perceber patavina, é certo, mas encantado com a magia de todo o ambiente. Em não havendo espectáculos, como acontece em Paris, a opção é ir à Missa do Galo. Apesar de agnóstico assumido, gosto das representações da fé e, mesmo que não acompanhe em devoção a celebração da eucaristia, deixo-me tocar pela energia festiva que se sente, concentro-me na obras de arte que vestem as igrejas e dou particular atenção às palavras dos celebrantes em chegando a parte da homília, que os há inspirados e galvanizadores. Também é bem verdade que os há maçadores, sem chispa, celebrando a eucaristia por mero “dever de ofício”. Isso mesmo senti, no ano passado, na Missa do Galo da Sé do Funchal, em que a prelecção se arrastou em lugares comuns, sem um rasgo que fosse de alegria, pela boa nova do nascimento.

Talvez o problema tenha sido eu ter assistido, dias antes, a uma das muitas Missas do Parto que  se realizam por toda a ilha, logo ás seis da matina e ao longo dos nove dias que antecedem a véspera de Natal, num triunfo de luzes e cânticos, para depois tudo terminar no adro, com comes e bebes e em perfeita comunhão.

Guardo na memória as Missas do Galo da Abadia de Westminster (Londres) de St. Patrick (Nova Iorque), da Catedral de Monte Carlo (Mónaco) sendo que a mais arrebatadora foi a que vivi na Catedral de Salzburgo (Áustria), com orquestra tocando Mozart e cânticos ao Menino. Tive convites para assistir à da Basílica de São Pedro e ainda celebrada por João Paulo II e isso é que era, não fora a minha mãe a furar os planos porque entendeu que não estava para esperar horas pelo Papa e logo ela que anda sempre com o “credo na boca”! Este ano voltou a baralhar-me o esquema, é que já não está para se mexer muito e por isso ficamos por cá (o que não se faz por uma mãe de 92 anos!), ainda por cima trabalho nesta véspera de Natal, e com todo o gosto porque é para si, mas lá por sermos apenas três “gatos pingados”, não vai ser por isso que não quero uma mesa catita, vestida de festa e seguindo o tom do pinheiro deste ano (já a deixei pronta). Também não dispenso o pão de mel e especiarias, a aletria em ponto de açúcar e perfumada de canela, as rabanadas em calda de vinho do Porto, entre outras lambarices. A esta hora só não sei ainda o que nos propõe de “salgado” o chefe cá de casa. Bacalhau cozido com todos não será certamente, que, para mim, noite tão única merece melhor que a mais corriqueira das receitas. Importante mesmo é que estejamos com quem amamos, seja do jeito mais tradicional ou alternativo. A noite abrir-se-á como refúgio de todos os corações.

Feliz Natal!

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