O MEU NATAL

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Porque me hei-de explicar? Talvez por me cansar a tacanheza de quantos pensam que só gostam do Natal os que o passam à mesa da bacaulhazada e dos familiares, muitas vezes, a que não ligam pêva no mais do ano. Como se não existissem outros jeitos de celebrar o nascimento de um homem bom e, em meu entender, revolucionário (não, não estou a falar de mim, nado a vinte e cinco de Dezembro, que de santo nada tenho) e dos valores que realmente interessam para encontrarmos um sentido para a nossa Vida. Nunca gostei que me ditassem regras seja em nome do que for, como se houvesse agora um tempo de sermos bonzinhos só porque o calendário o dita. Gosto do Natal. Pelas luzes que triunfam no alto, pelo cheiro do musgo e dos fritos coroados de açúcar e canela e outra quadra não haverá de tal modo olorosa, pela emoção dos cânticos… Gosto de pinheiros vestidos de festa e de presépios, enquanto representação artística de uma fé que até me assiste. A fé nos homens e mulheres de boa vontade, que abraçam para além de todas as fronteiras. Permitam-me, então, que o festeje a meu jeito, algures no Mundo. Comigo apenas ou com quem amo, jubilando com a luz da Arte, que é nela que me acho. Gosto do que me transcende. Recuso o que me diminui.
Que tem isto a ver com o facto de me ter como agnóstico? – como sugere o artigo ontem publicado na revista Notícias TV, depois de uma conversa apressada tida com a jornalista que o escreve, através do telefone. Ou será que a jornalista não sabe o significado de agnosticismo? Não discuto Deus porque não é passível de análise à luz da razão. Preciso de entender tudo em que acredito. Não me basta o “porque sim”… castrando a minha inquietação. Alimenta-me o desafio, a procura… e que assim seja até ao último dos meus dias.

“Eu amo o longe e a miragem. Amo os abismos, as torrentes e o deserto…

A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou.

Não sei por onde vou
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!” (José Régio).

Resumindo e concluindo, entrevistas pelo telefone: jamais.