
“Matreira, fagueira e lambisqueira” assim era Salta-Pocinhas, a raposeta de Aquilino, cujas aventuras me encantaram em miúdo, sendo que o seu “Malhadinhas” também foi dos meus primeiros livros e talvez por isso cedo me rendi à sua prosa, e muito pela riqueza de vocabulário, tão contrastante com o mísero uso que hoje se faz da nossa língua. Mais tarde, muito mais tarde, andava eu nas teatradas e tive a oportunidade de representar “O Romance da Raposa”, numa produção do Teatro do Nosso Tempo, uma companhia vocacionada particularmente para o público infanto-juvenil. Quem ali se estreou, profissionalmente, foi a Paula Mora (a Joaninha de “Duarte e Companhia”), actriz que acabou por integrar o elenco do Teatro D. Maria II. Pena não ter fotos que testemunhem o que digo, não sou muito de as guardar, tão pouco os recortes de imprensa, confiante que sou na memória, mas era um espectáculo lindo e muito pelo cenário, obra de um jovem arquitecto, de quem não posso precisar o nome completo para além de Antão. Em palco, um imenso livro abria-se em folhas de esferovite recortadas e cenografadas consoante a acção, para delas saírem os actores vestindo as mais diversas personagens aquilinas. Fez sucesso o espectáculo aqui e lá fora, que levámo-lo ao Luxemburgo e a Bruxelas, no âmbito do Dia de Portugal, nos idos da Revolução e a convite do MFA. Foi a primeira vez que andei de avião.
Se já simpatizava com o bicho pelas fábulas mais fã fiquei e ainda hoje quando vejo que uma ou outra jazem nas estradas alentejanas não deixo de o lamentar. Imaginem só a euforia quando percebi que há um casal que tem morado na herdade, para lá das silvas. Sempre que a tarde cai vão à charca saciar a sede. E foi numa dessas idas que as “apanhei”, o melhor que pude dada a lente e o local afastado em que me encontrava para não atrapalhar. O Alentejo tem destes encantos!








