No Botão!


Sabia lá eu que existia uma freguesia (do concelho de Coimbra) chamada Botão. Botão para mim é coisa de abotoar, tem é de haver casa ou presilha, e com “u” é nome de país asiático. Mas há e a localidade até que é pitoresca, mostrando orgulhosa vestígios de muita antiguidade. Dizem que foi sede de concelho medieval, que teve hospital e Misericórdia e que foi Manuel I, nosso venturoso rei, quem lhe concedeu foral em Janeiro de 1514. A sua história está intimamente ligada ao Mosteiro de Lorvão, já que quando este passou para as monjas de Cister, uma das suas abadessas, D.Catarina de Eça, fez ali construir paço, que servia para a estada das religiosas a caminho de Viseu, e reformar a Igreja. Se do paço nada resta impõe-se ainda a Igreja matriz, vetusta de muitos séculos, devendo o seu actual aspecto às grandes obras que nela foram feitas no século XVI e cem anos depois. “ Tem de ir ao Botão ver o altar-mor, em pedra, da Igreja!”- sugeriu-me um simpático casal em Lorvão e foi assim que ali cheguei. A capela-mor, manuelina, tem tecto abobadado com o brasão da abadessa e o altar em pedra policromada exibe dois nichos em que se abrigam as esculturas de São João Evangelista e São João Baptista. No alto, dois anjos músicos ladeiam o frontão. Gostei sim do altar-mor, mas também ficaram os meus olhos numa imagem da Virgem com o Menino ao colo, numa das capelas laterais.

Valeu a ida ao Botão até porque conheci, por mero acaso, que tenho por hábito meter conversa com quem passa, uma filha da terra a ela regressada muitos anos depois de ter andado pelas Américas. Vitória, assim se chama tão gentil senhora, foi ter com o marido que acaba por lhe faltar em sete meses. Viúva com uma filha nos braços atirou-se à Vida, a sua que diz dar um filme. A filha com estudos e o genro engenheiro partiram para Munique e agora é vê-la cá e lá para matar saudades e estar com os netos, já vão em três. Diz que Deus a terá sempre ajudado talvez por ter nascido naquela casa, onde hoje vive, mesmo frente à Igreja. Prometi-lhe voltar talvez por alturas de Nossa Senhora da Piedade que é quando faz bom tempo e há festa rija.