Há gestos que se repetem quando Dezembro está para chegar, como o de fazer o presépio e a árvore de Natal que até pode não ser um pinheiro, já que gosto sempre de variar. Este ano passarei o Natal no monte, por ser o primeiro naquele pedaço de chão alentejano, por isso quis um presépio quase tradicional e digo quase porque apesar de ter dispensado as figuras em resina que já usei em anos anteriores e de ter optado por outras em barro, estas não serão propriamente as mais toscas, como as da minha infância, que era essa a ideia inicial, talvez por achar que as que hoje em dia se fazem são autênticos monos. Optei então por outras, de cores menos exuberantes mas de pintura mais cuidada, feitas pelos artesãos de Barcelos. Ir à capital do artesanato estava fora de questão, pela falta de oportunidade, felizmente soube de Maria Dália, encantadora vendedeira com estaminé montado no Largo da antiga feira de Santarém, entre meados de novembro e a véspera natalina. Todos os anos recebe a bonecada de Barcelos “às carradas”, fora o que ainda tem de outros natais, nalguns casos coisas bem antigas, já que isto de vender para o presépio começou há muito, com o falecido pai.



Esvaziado o oratório havia que montar a estrutura onde assentasse a representação da Natividade. Fi-lo da forma mais rudimentar possível, com caixas vazias e papel de embrulho castanho, este como que a fazer de conta que é terra ou pedra. Depois vesti a cena com musgo de duas tonalidades,sintético tal como a areia, e palha, antes de distribuir as figuras adoradoras do Menino. Levou oito horas a fazer, mas gosto do resultado final.





Quanto à árvore de Natal achei que, este ano, fazia todo o sentido um ramo grande de oliveira, que é coisa que não falta na herdade depois da limpeza das árvores. Escolhido o que achei mais apropriado, foi enterrá-lo num vaso, junto à lareira da sala onde haveremos de consoar. Quis este ano uma árvore quase depurada, por isso optei por bolas e enfeites, todos eles, em vidro. Este género de decoração, penso aliás também usar na mesa da festa (já a tenho “na mona”), como que a prolongar o tema que escolhi para a casa de jantar. Que acha?











