Natal em Monforte

Já passei muitas noites de Natal em Paris, na Ópera da Bastilha, vendo bailado (eu e mais três mil pessoas, que as lotações estão sempre esgotadas), ou noutras cidades, como Londres, Mónaco, Nova Iorque, Viena … dobrando a meia-noite na missa do galo, já que nesses casos não havia opção artística (a não ser a opulência das próprias igrejas e catedrais) que me valesse. E sendo assim conservo na memória, como a mais bela das celebrações, a que assisti na Catedral de Salzburgo. Mas a noite deste ano teve um sabor muito especial, por ser a primeira em Monforte, minha terra alentejana (permitam-me o desaforo de tanto apego que já lhe tenho) com consoada para oito (o que em mim já é uma loucura!), celebração na Igreja Matriz consagrada à Senhora da Graça (representada por uma belíssima imagem de muitos séculos, em pedra, posta no altar-mor, logo abaixo do brasão nacional que encima todo o conjunto) e acabando junto ao madeiro, na Praça da República, entre risos e afectos. Melhor mesmo só molhá-los de vinho quente e especiarias. Ainda dei um pulo para ver o lume de Vaiamonte, que há-de durar talvez até aos Reis, grande que é o tronco de azinho, e a noite acabou com a certeza de que as coisas mais singelas são as que fazem sentido numa altura em que festejamos o nascimento de um homem bom e revolucionário. Nisso acredito, como acredito em tantos outros, homens e mulheres de coração generoso, que neste tempo fazem a diferença.
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