Não fosse o Salão Internacional do Cavalo e por certo Frankfurt continuaria para mim, ainda que sabendo-a cidade da Finança e sede do Banco Central Europeu, como um mero local de trânsito entre dois voos, apenas conhecendo o seu aeroporto o que convenhamos é coisa nenhuma. Ainda pensámos ir a Londres, que esta semana também ali terá lugar competição equestre de gabarito mas a nossa Maria Moura Caetano é aqui que compete com o Coroado e por isso não havia que hesitar. Se bem o conheço é no recinto da competição que o Rui passará os próximos dias e talvez uma ou outra noite já que as provas de dressage e salto prolongam-se até tarde, também eu não irei faltar à prova de “free style”, a que chegam só os mais pontuados, tenho que a mais bela e delicada das exibições, que é quando cavalo e cavaleiro desenham na “carriére” toda uma coreografia, ao som de música escolhida livremente, sem esquecer as figuras obrigatórias da disciplina, mas nos entretantos quero então conhecer a cidade na sua vertente cultural.
Reservei o primeiro dia para dois dos mais importantes museus da cidade, acabando, no regresso ao hotel, por entrar num terceiro este dedicado ao cinema alemão, e onde muito me diverti, de tal modo se alinham junto à margem do rio Main (acho que Meno em português). Gosto destas cidades onde a oferta museológica que mais me interessa se concentra digamos que num único bairro, assim é também em Viena, cidade do meu contentamento por isso, pela ópera e muito mais. Comecei pelo Stadel, um dos mais conceituados museus de artes (essencialmente de pintura) de toda Alemanha, e percebe-se porquê ao deambularmos pela suas inúmeras salas onde se exibem obras ímpares representativas dos mais diversos movimentos, do Renascimento (Botticelli,…) ao Barroco (Vermeer,…), do Romântico (Delacroix,…) ao Impressionismo (Monet, Renoir…).
Há uma mostra de obras de Van Gogh que não vi, por recentemente ter estado no seu museu de Amesterdão, mas a valer a pena, tenho a certeza.
Almocei no restaurante do museu, uma salada de quinoa com peito de frango, acompanhada de um copo de vinho tinto e recusei o pão e a manteiga, gulosas que são, e ainda a sobremesa, por perceber ao pesar-me esta manhã que estou com cinco quilitos (o diminuitivo aqui é para amenizar)a mais.

A dois passos fica o Liebieghaus, um impressionante museu de escultura, pelo espaço em si, uma bela casa do século XIX, mas sobretudo pelo seu acerco englobando várias colecções, da Antiguidade aos nossos dias. Um dia nunca dá para ver tudo com “olhos de ver”, há obras que exigem que o meu olhar se aquiete por longuíssimos minutos, como se nada mais existisse, por isso optei por me demorar no que logo considerei ser único e irrepetível, a maior colecção mundial de peças em marfim, de várias épocas, países e artistas. Tudo se deve a Reiner Winkler que ao longo da sua vida coleccionou estas peças que deslumbram pela delicadeza e detalhe estético, tendo-as doado em finais do século passado.
Amanhã será dia de ver a Casa de Goethe, a Catedral, perder-me no Mercado de Natal, que a quadra o exige, atestanto se o que dizem de ser dos melhores da Germânia sempre é verdade e acabarei na Ópera para ver uma das obras de Verdi que mais aprecio:”Don Carlo”. E o Rui nos cavalos!
Tem bilhete para a ópera, partilhamos da mesma paixão, mas isto é se um jantar de grã-finos ligados ao mundo equestre, para o qual foi convidado, não levar a melhor.


