
Gosto de viajar na TAP, sentindo-a ainda como nossa, por isso só em último caso escolho outra companhia de bandeira. Desta vez foi para Milão e se a segurança da companhia é sempre o primeiro factor a ter em conta, a simpatia e eficiência da tripulação ganha igualmente papel de decisiva importância. Volta e meia sou convidado a levantar ou aterrar no cockpit, por gentileza de quem vai aos comandos. Confesso que, por vezes, recuso delicadamente, por não ter pachorra para me levantar do lugar e ir vivenciar o que já experimentei, mas da última o convite trazia o aliciante de sobrevoar o Monte Branco, já próximo da descida para Milão. As vistas eram, realmente, de cortar a respiração, e ainda por cima o comandante era José Maria Sá Chaves, filho de Carolina Tavares, a artista, e fez questão de lembrar que já havia estado comigo em alguns programas de televisão, acompanhando a mãe. Já antes me havia saudado e agradavelmente trocámos dois dedos de conversa, o suficiente para perceber que voa por vocação e paixão e que se sente orgulhoso de fazer parte dos quadros da companhia aérea. Até dá gosto ouvir um profissional assim feliz! O mesmo posso dizer de quem nos atendeu ao logo do voo. Curiosamente, uma das assistentes de bordo, também é sobrinha de uma amiga, Luísa Castel-Branco (é o que eu digo: o mundo é um pátio!) e com ela ri a bom rir. São muitas as estórias que a tripulação pode contar, dariam para muitos livros, se bem que penso existir um mural privado no facebook com o anedotário de bordo, e Joana não se fez rogada perante a minha indisfarçável curiosidade:
Esta tem a ver com o facto dos passageiros brasileiros terem,muitas vezes, dificuldade em entender o nosso português, ainda que falemos a mesma língua. Na hora da refeição há que perguntar: “deseja carne ou peixe?” E a resposta fez-se ouvir com estranheza: “Oí?!!! Que é isso de carnópes?!!
A próxima passou-se com um simpático passageiro angolano, na altura de se servir café ou chá:
“O chá é de quê? – perguntou o passageiro
É preto! – respondeu a assistente de bordo
Eu sei, mas o chá é de quê?” – teimou o passageiro.
Mas das três que me contaram a última é a melhor, passou-se com uma passageira, já com o avião na manga:
“Sabe se o meu marido já saiu? – perguntou ansiosa a passageira.
-Minha senhora, eu não sei quem é o seu marido! Veja na cabina se ele ainda está! – respondeu a assistente de bordo.
-Não está não, o meu marido vem no porão!
-No porão?! (sobressaltou-se a assistente)
-Sim, no caixão!” – concluiu a já lacrimosa passageira.
Na viagem de regresso uma nova tripulação mostrou idêntica simpatia. A divertida chefe de cabina lembrou que já me havia levado para Nova Iorque num dia de Natal, celebrado a bordo com bolo de aniversário e foto. Não poderíamos deixar hoje de tirar uma outra, quanto mais não seja para a Elsa e eu, os repetentes, vermos as diferenças.



