Na Quinta Dona Maria

Quinta Dona Maria1

É inevitável que se fale de D. João V quando em Mafra nos deparamos com o monumental Convento, símbolo maior do seu reinado, mandado construir como pagamento de uma promessa feita a Deus para que lhe desse sucessão. A Tapada Real também foi vontade sua para deleite próprio e da corte entre passeios e caçadas. A capela de S. João Baptista na Igreja de São Roque, junto ao Chiado, obriga-nos de novo a lembrar a régia figura e se falamos de triunfos ourados então que dizer da Biblioteca da Universidade de Coimbra. Lembro-me em miúdo, numa primeira visita de estudo, de ficar que nem basbaque perante tão fulgentes estantes e demais ornatos.

Muito mais haveria para elencar quanto ao que João V nos deixou de património, por via do ouro dos “Brasis” e da ruína do tesouro público, não quisesse eu alinhar umas quantas palavras sobre as alcovas de Odivelas, onde sua alteza ardia em volúpia junto com algumas das freiras bernardas. Se madre Paula foi a mais famosa, tal o arrebatamento do rei (confesso que não perco um episódio da série que a RTP exibe a propósito e onde se destacam as notáveis interpretações de Sandra Faleiro, como Maria Ana de Aústria, rainha, e Joana Ribeiro no desempenho da freira amada) não terá sido a única, porque já antes Madalena Máxima de Miranda havia conhecido os seus ímpetos sexuais e diz-se mesmo que a francesa, a primeira das três a dar-lhe um filho, também era recolhida em Odivelas. Era tal a devassidão no convento, entre as supostas mulheres de Deus, rei e nobres, que, comparativamente, a casa do “Love on Top” mais parece retiro espiritual.

Do que não estava à espera era de voltar a ouvir o nome de João V, quando recentemente quis conhecer a Quinta Dona Maria, em Estremoz. É que se diz que a quinta foi adquirida pelo rei para oferecer a uma cortesã, de nome Maria, por quem estaria (advinhe) perdidamente… apaixonado! Também é conhecida como Quinta do Carmo, mas isso é pela capela que posteriormente foi construída em honra da Senhora do Carmo. Ali se produz vinho há mais de cem anos, sendo que Júlio Bastos, o seu proprietário, que ali vive naquela que é das mais belas casas apalaçadas do Alentejo, tenha retomado o projecto vinícola no início do milénio com os vinhos Dona Maria. É um trabalho de grande saber e rigor. Fui à procura do seu “Grande Reserva Tinto” que aconselho, pela cor densa, pela sua elegância e boa textura na boca, não sem antes ter passeado pelos jardins e suas fontes, os mesmos que terão cumpliciado os tão falados derriços reais.

Quinta Dona Maria2 Quinta Dona Maria3 Quinta Dona Maria4 Quinta Dona Maria5 Quinta Dona Maria6 Quinta Dona Maria7 Quinta Dona Maria8 Quinta Dona Maria9 Quinta Dona Maria10 Quinta Dona Maria11 Quinta Dona Maria12 Quinta Dona Maria13

Sugestões de leitura:

Quinta Dona Maria14 Quinta Dona Maria15