
As missas do parto são uma tradição muito particular da Madeira e do Porto Santo e pretendem celebrar a gravidez de Maria. Por isso são nove, uma por cada mês de gestação, e decorrem nas duas ilhas, nos nove dias que antecedem a véspera de Natal, dia da missa do galo, a que festeja o nascimento. Nunca havia assistido a uma missa do parto e por isso este Natal, que quis viver na Madeira, não seria em pleno se não tivesse vivenciado esta manifestação de alegria entre o religioso e o pagão. Às cinco e trinta da manhã já a Igreja da Boa Nova era repleta de fiéis para a celebração da Eucaristia, acompanhada pelos cânticos do coro e assembleia ao som dos instrumentos tradicionais das ilhas, nem o brinquinho falta. É intrínseco o apego dos ilhéus, sobretudo dos que vivem nas zonas rurais, às tradições religiosas, mas aqui nesta paróquia a juventude e modernidade da palavra do padre Toni é também ela mobilizadora. O caminho que o celebrante evoca é o da alegria, na paz e na partilha com os outros, inspirado pela palavra do Papa Francisco.
No adro da Igreja, terminada a missa, reúne-se a comunidade entre cantares, comes e bebes como que a prolongar a celebração, na sua dimensão lúdica. Há carne em vinha d’alhos, broínhas de mel e de coco, licores vários e poncha. Tudo produtos caseiros, levados pelos fiéis para o adro, para a comunhão de afectos entre amigos e convivas. Na manhã de ontem fui um deles e o meu coração transbordou. Obrigado.

Fotos retiradas do mural do Coração de Jesus Boa Nova (da autoria de Cátia Dias)


