
Foi desta que entrei na Escola Espanhola de Equitação de Viena para no seu picadeiro assistir a um espectáculo de cavalos Lipizzano. Estes cavalos de origem andaluza assim conhecidos porque criados na Lipizzia, hoje Eslovénia, por vontade de Carlos II da Áustria,apresentam características únicas para serem usados na aprendizagem dos exercícios da Alta-Escola. É um mundo que me fascina, sobre o qual tenho muito para aprender, assim tenha tempo, o que vale é que cá em casa há quem me leve grande avanço na matéria e logo me explica o que é um piafé, uma passage, uma pirueta, uma curveta, uma capriola, uma levada e por aí adiante. Diz ele que os lipizzanos são barrocos, porque de estrutura arredondada, e eu até acho que faz sentido pelo que vi e apreciei. Tenho é opinião precisa sobre o picadeiro onde o espectáculo se desenrola por cerca de hora e meia perante quem sempre o lota pagando bom preço para estar sentado, havendo uma opção mais acessível para quem queira ficar apeado. Foi Carlos VI quem fundou a Escola Espanhola de Equitação, em consonância com o seu interesse e paixão pelos cavalos Lipizzano , e quem mandou construir o picadeiro, dentro do Hofburgo (palácio imperial) para seu próprio deleite e da corte. Qui-lo barroco, ao gosto da época, porém todo alvo e sem os grandes excessos que o estilo habitualmente exibe, para que a atenção dos espectadores, ainda hoje, se concentre no que ali importa: no trabalho da Alta-Escola Equestre.
Pus-me a pensar no antigo Museu dos Coches e em que como seria magnífico devolvê-lo à sua função original de picadeiro, ao serviço da nossa magnífica Alta-Escola Equestre (na minha opinião superior à austríaca). Por certo dir-me-ão que o espaço não tem mais condições para a função para o qual foi criado, e até podem ter razão, mas que seria uma mais valia para um edifício com história e pergaminhos lá isso seria … até para deleite de quantos turistas e portugueses gostam da Arte Equestre.



