
É-me fácil falar de pessoas como o Chefe Silva, porque é falar de coisas gratas, das que nos enchem a alma, como a ternura e o respeito. Sabe-me bem falar de pessoas para quem generosidade e humildade não foram palavras vãs, mas sim valores que balizaram todo um caminho percorrido em defesa da cozinha e das tradições que continuam nossas. Simboliza o Chefe Silva toda uma geração que da tarimba fez escola em prol de uma arte, quando como tal não era tida. Por isso mantenho o respeito que sempre senti por ele, que a ternura guardo-a dos momentos que partilhámos, nas mais diversas ocasiões.
Através das histórias que contava e cantava, que esse era outro dos seus talentos quando se juntava aos da sua Caldelas natal, e do seu sábio oficiar, descobri um país que é, também por tudo isso, diferente de quantos com ele fazem união. Falar do Chefe Silva é recordar repiques e lengalengas … o cheiro do fumeiro e da esteva… o frescor da água da nascente. Falar do Chefe Silva é celebrar o que de mais autêntico pode uma vida encerrar.
Tivesse eu talento e cerziria esta toada a fio de seda e ouro, tal é a nobreza que sempre vestiu este homem do Povo.
Obrigado Chefe!


