Hoje tenho onde ficar, mas tudo começou no Torre de Palma Wine Hotel (1) aberto há dois anos, uma unidade hoteleira de excelência, onde me instalei de férias, ainda o cheiro da tinta fresca se fazia sentir. A ele voltei por mais algumas vezes e logo me apaixonei por Monforte e seus encantos. A começar pela ponte do lado esquerdo de quem vai para o burgo (2).
Dizem-na romana mas há dúvidas que subsistem, agora que no século XIV já a ponte existia, lá isso é verdade, que há documentos que o atestam. E não deixa por isso de ser um ponto de paragem obrigatória para as fotos da praxe. Seguindo adiante para a vila, surpreendo-me sempre com três igrejas, à entrada e num mesmo terreiro, a de Nossa Senhora da Conceição, a mais antiga, a do Calvário e a de São João Baptista (3). Vai ser difícil visitá-las, que estão sempre fechadas, mas há-de haver um jeito de o fazer, informe-se no posto de Turismo, no próprio edifício da Câmara onde oficia um presidente jovem que todos tratam pelo nome, diligente e cuidadoso na defesa dos seus munícipes. Está na Praça da República (4), cá para mim o Rossio de todos os encontros, compra-se o jornal na Papelaria “Sopa de Letras” e bebe-se um café na esplanada da esquina que dá para o Largo do Malato (5), dilecto filho da terra, onde é a Biblioteca Municipal e a Universidade Sénior e onde já fui recebido com muito afecto e petiscos. Também Paulo Caetano, antigo cavaleiro tauromáquico e distinto professor de dressage, há muito com Monforte no coração, tem nome de rua, ali nas ventas da Praça, que esta é terra de aficionados bem sei, neste caso até gosto de ser a “ovelha ronhosa”. Ê vê-los… touros lindos… nos imensos pastos, gozando dos anos que lhes permitem antes da inevitável lida, mas adiante… não vá a prosa azedar. A partir da Praça da República alcance-se a Matriz consagrada à Nossa Senhora da Graça, agora em obras de restauro de dois dos seus altares e deambule-se pelas ruas alinhadas de casario fidalgo (6). Suba ao que resta do Castelo e largue o olhar para lá do horizonte. Assim é o Alentejo. Há mais para ver, é só perguntar, que não há Monfortense, orgulhoso das suas raízes, que não queira prestar todas as informações, até podem sair em verso que encontrar o Ti João Patinhas, poeta popular, é coisa fácil nesta vila que foi berço de António Sardinha.
Em Vaiamonte, ali a dois passos, tem de provar os petiscos do Chef Joaquim Ramalho (7). O “Tola”, tal como o pai, dizem os da terra e já se sabe que por estas paragens as alcunhas tatuam vidas. Em estando por cá, que isto agora não quero outra coisa, estou lá caído. É que não resisto aos seus inspirados comeres (pombo de tomatada, feijoada de pato, galinha tostada, empadinhas de lebre, ovos mexidos com espargos e farinheira, migas de batata e tomate, arroz de míscaros e chalotas…) tudo regado com os tintos da região, e porque não os brancos? – que é o que apetece com esta caloraça. Bons são eles, que adegas de Monforte como “Herdade do Perdigão” “e Lima Mayer”, por exemplo, têm boa fama e melhor proveito.
Sóbrio, posso dizer que muito feliz me sinto por ter agora um pedaço deste chão, não venham a achar que tantos gabos sejam delírio devido à “pomada”.
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