… despertadas por fotografias que vou encontrando… mas guardo muito mais para contar.

Nasci em casa, num dia de Natal, pelas 20.05 horas. Com quatro quilos e olhos grandes de quem quer ver o Mundo. E tanto que a minha mãe assim o quis, a ponto de o dizer às suas clientes do “Damas Santos”, cabeleireiro da burguesia de então, ao lado da pastelaria “Versalhes”, que “menino ou menina haveria de vir no dia de Jesus!”.

Revejo a foto, a preto e branco, e encontro a banheira de zinco onde me era dado banho. Acho que ainda resistiu por uns bons anos, já sem préstimo. Tudo se passava na casa onde nasci, em Lisboa, à rua das Pedras Negras. E eu que ando sempre à procura de perceber a razão de certos topónimos, pouco sei deste, a não ser que é antiquíssimo de muitos séculos e que talvez tenha a ver com um templo que ali existiu consagrado a Cibele, mãe dos deuses.

Eu e o meu irmão prontos para mais um dia de praia. Eram magníficos os Verões na Figueira da Foz. “Figueira, Figueira da Foz/ das finas areias/ berço de sereias/ procurando abrigo/…” Lembra-se da canção? Maria Clara popularizou-a e virou hino da cidade. E o poema é de um tio, irmão da minha mãe, também figueirense e orgulhoso por o ser: António de Sousa Freitas.

Que bonitinhos, vestidos de igual!
Recordo-me das camisolas, sempre feitas pela nossa mãe. Estas brancas, de torcidos e gola em bico, para se ver a gravatinha de elástico. Mas poderiam ser de outras cores ou matizes, lisas ou trabalhadas, de gola redonda ou “em barco”, tanto o talento daquelas mãos. Durante muitos anos as usei, sempre orgulhoso de as saber feitas de lã e ternura.


