
Foi inaugurado com toda a pompa e circunstância no dia 10 de Junho de 1944. Dia de Camões, mas também da Raça, por vontade de Salazar, e talvez possamos entender isso da raça, segundo a linguagem do próprio regime, como o carácter de um povo diferente, aparentemente frágil mas capaz de grandes desígnios como o de um império colonial que poucos países possuíam. O Estádio naquele dia inaugurado, perante mais de cinquenta mil pessoas e com todas as figuras gradas do regime presentes, levou, desde a sua planificação, cinco anos a ser concluído. O espectáculo inaugural com mais de 12.000 praticantes das mais diversas modalidades procurou ser uma inesquecível exaltação do Desporto mas também dos princípios ideológicos do Estado Novo, objectivos que, ao fim ao cabo, presidiram à construção da obra, impulsionada por Duarte Pacheco, ministro da Obras Públicas e das Comunicações, e coordenada pelo arquitecto Miguel Jacobetty.
A partir de 1987 o Estádio Nacional, também conhecido como Estádio do Jamor, passa a ser visto e apresentado como Complexo Desportivo do Jamor, um espaço global cuja prioridade é a excelência do desporto de alto rendimento e dos seus protagonistas, sem esquecer o desporto de lazer.
Uma mancheia de memórias:

Não é que eu fosse de “ir em futebóis”, mas Coimbra fervilhava de entusiasmo contagiante com a ida da Académica à final da Taça de Portugal, com o Vitória de Setúbal, em 1967. Por isso lá em casa seguimos os 144 minutos do desafio do Estádio Nacional, através da televisão. Sim, 144 minutos! Mandavam as regras que em havendo empate se seguisse prolongamento até que alguém marcasse. Já caía a noite quando o golo de ouro, do Vitória, acabou com o sofrimento de quantos se arrastavam em campo e dos adeptos já de nervos esfrangalhados.

Dois anos depois era uma Académica de capa aos ombros, solidária com os estudantes da Universidade de Coimbra que antes haviam afrontado o regime clamando por mais direitos, democracia e melhor ensino, que subia ao relvado do Estádio Nacional para, de novo, disputar a Final da Taça de Portugal desta vez com o Benfica. Estávamos em plena crise académica.
O Regime mostrava claros sinais de nervosismo e preocupação. Nenhuma figura política importante se apresentou na tribuna (Presidente da República, Presidente do Conselho de Ministros, nem sequer o ministro da Educação). Tampouco a RTP transmitiu, como era da praxe, o desafio, que acabou por ser ganho pelo Benfica, no prolongamento, e mercê de um golo de Eusébio. Fora do campo, a “fidalguia” de Coimbra acaba por ganhar com a substituição de José Hermano Saraiva, na pasta da Educação, por Veiga Simão.

A 20 de Maio de 2006 foi no Estádio Nacional que se juntaram 18.788 mulheres para ali fazerem a maior bandeira humana do Mundo, feito que ficou inscrito no livro dos recordes.

No próximo sábado, dia 17 de Janeiro de 2015, será aqui que terá lugar o mega-casting do MasterChef com os quinhentos candidatos que foram seleccionados de entre os mais de dois mil e quinhentos inscritos. Até que se pode estranhar a escolha do lugar, mas logo se encontra um sentido: afinal não é este um grande desafio? O maior desafio culinário do Mundo!
Faltam só cinco dias para eu entrar em campo e juntar-me à equipa.


