
Já tinha estado no seu terreiro aquando da Feira de São Mateus (Setembro) como apresentador do “Somos Portugal”, mas não tive, então, oportunidade de entrar na Igreja do Senhor Jesus da Piedade, excelente exemplar da arquitectura religiosa de setecentos. Uma igreja de características barrocas onde se destaca a capela-mor e os altares laterais em mármore. Fi-lo agora, uma vez ido a Elvas para almoçar, logo atrás do santuário, e qual não foi a minha surpresa ao perceber que a sua sacristia “esconde” um verdadeiro museu de ex-votos, presentes dados pelos fiéis ao Senhor Jesus da sua devoção, muitos com mais de trezentos anos. São milhares as peças pintadas em tela, madeira ou metal, imagens de expressividade popular se bem que as há também de pendor mais erudito. Não faltam outras tantas em cera representando os órgãos achacados e pelos quais se pediu a intercessão do padroeiro da cidade. Símbolos de dor e fé, histórias de milhares de pessoas de um país todo, também com seus tormentos. Vejam-se as paredes vestidas com fotografias dos filhos e amados que um dia tiveram de partir para lutar em guerras sempre injustas, da primeira mundial à colonial em defesa do império.
Confesso o pecadilho de ter tirado fotografias com o meu telemóvel, à sorrelfa, mas um acervo destes merece ser divulgado por todos os meios e que outros não faltem para a sua preservação.











