Soube de Jung Chang aquando do seu livro “Cisnes Selvagens”, que “devorei” de uma assentada. E ainda o tenho como essencial para quem queira conhecer algumas fases decisivas da história da China, dos tempos feudais dos senhores da guerra à aberração que foi a revolução cultural imposta por Mao. É uma impressionante história sobre a submissão de três gerações (a da avó, a da mãe e a da própria autora) ao despotismo da tradição e das ideologias apregoadas como justas e libertadoras. Mais tarde, dela li aquela que para muitos é, ainda, a mais completa e definitiva biografia de Mao Tsè-Tung, na ânsia de perceber como em nome dos ideais da justiça e repartição da riqueza, tão caros ao comunismo, se construíram as mais tenebrosas ditaduras, onde os mais elementares direitos humanos nada contavam. Agora, foi este o livro de Jung Chang que acabei de ler. Uma vez mais me fascina a sua escrita e muito pelo que nos dá a conhecer. Sabia lá eu que Cixi, uma das muitas concubinas do Imperador, acabaria, após a morte do seu senhor, por ascender, com engenho e tacto político, das mais baixas categorias do concubinato, à governação da China, reformando-a e modernizado-a, em sectores tão decisivos e necessários, como a indústria e os transportes, e assim a conduziu até ao século XX.
Se o tema lhe interessa, se gosta de histórias reais, a um tempo bizarras, terríveis e triunfantes, tenho a certeza que esta sugestão lhe vai agradar. Boa leitura.

A imperatriz Viúva
Cixi, a concubina que mudou a China
Edição da Quetzal
Sobre a autora:
Jung Chang nasceu na China em 1952. Aos quatorze anos pertenceu, durante um curto período, ao Exército Vermelho. Foi camponesa, depois operária, até se tornar estudante de inglês e, mais tarde, assistente da Universidade de Sichuan, na sua província natal. A partir de 1978 passou a viver em Inglaterra, doutorando-se em linguística pela Universidade de York em 1982.
Jung Chang foi a primeira pessoa da República Popular da China a fazer um doutoramento numa universidade britânica.


